estar em queda de 18,7 %, no último trimestre de 2015. Ainda es tá muito ruim, mas já foi pior.
A história que os números contam é a de um país que despencou em queda livre e longa desde o fim de 2014, época em que a então presidente e candidata Dilma Rousseff perguntava sempre a cada entrevista:“ crise? que crise?” O que ela não via estava diante dos olhos dos economistas e analis tas do país. A recessão estava sendo contrata da pela displicência com a inflação, pelo gasto excessivo, pelos subsídios insustentáveis aos empresários, pelo seu pensamento econômico rudimentar.
Temer já governa o país desde maio do ano passado. Tem conseguido algu mas melhoras na eco nomia, mas não fez a virada rápida que o país precisa va. É, de fato, muito difícil mudar, em pouco tempo, uma situação tão ruim. O governo Temer tem tomado deci sões acertadas na economia, mas permanece imerso em ambiguidades e suspeições. O pior ficou para trás, contudo a recuperação será lenta.
Como o dado do último trimestre foi pior do que o es perado, os economistas explicam que o carregamen to estatístico para 2017 também piorou: saiu de-0,7 % para-1,1 % no cálculo da Tendências. Isso significa que a economia começou o ano de um ponto ainda mais baixo do que se esperava. Para voltar ao zero, na mé dia, terá que, primeiro, recuperar esse 1,1 %. Por isso, as projeções para o PIB, de vários bancos e consulto rias, já estão sendo revistas para baixo.
A queda que é positiva
O mês de março começou pesado, com a constatação do tamanho da queda da economia, mas teve, na sua segunda semana, uma lufada de vento fresco: a inflação caiu mais ainda. Em fevereiro, ficou abaixo do esperado e agora o acumulado está em 4,76 %. Os economistas estão refazendo seus cálculos e acham que o índice deve terminar o ano em 4 % ou até abaixo disso. Isso permite a queda mais forte dos juros. Há sinais de recuperação.
A inflação vai continuar caindo em 12 meses. Vai chegar ao centro da meta em março, depois deve ficar abaixo de 4 % lá por agosto. Então, volta a subir ligeiramente. A inflação quando cai não resolve os problemas, mas torna mais fácil enfrentá-los. A Selic descerá mais forte e isso fará efeito no segundo semestre. Este primeiro semestre será ajudado pela agropecuária. E assim
102 Miriam Leitão