A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 97

Para a superação da condição de vítima sujeito ético são: a vida daquele/a que está na condição de vítima, a participação dialógica e a organização e luta das próprias víti- mas. Não há sujeito ético sem que esteja vivo e possa viver, e que viva bem, o que remete para o necessário enfrentamento da vi- timização como processo de morte do sujeito e a afirmação da realização de condições históricas que promovam a vida, nunca a vitimização. Sem destruir as condições de morte que geram a vítima não se abre para a realização do processo de efetivação de novas condições, de novas realidades, de novas relações. A segunda condição é que a própria vítima participe dialo- gicamente do processo de superação das realidades vitimárias, o que passa pela conscientização, pela formação de consciência crítica, daqueles/as que estão na condição de vítima sobre a rea- lidade que os/as vitima. A presença e a participação da vítima em condições simétricas, horizontalizadas, dialógicas, é que a faz sujeito de sua própria libertação pela superação da condição de vitimização. Qualquer medida que não opere deste modo re- dundaria em paternalismo piegas e negligenciador da potência daquele/a que está na condição de vítima e, portanto, retroali- mentador do próprio processo de vitimização. A terceira condição é a organização e a luta das próprias vítimas e de seus aliados como caminho para a superação da condição de vitimização. Organizar-se significa ordenar os pro- cessos e os agentes de modo a que a ação seja coordenada em vista de atingir a realização de um desejo, que é a superação da condição de vitimização. A luta completa o processo de organi- zação visto que se trata de encontrar as mediações para enfrentar os agentes vitimários e suas diversas estratégias de submissão, de contenção e de retenção dos processos libertários. Estas condições dialogam com os diversos aspectos da reali- zação do sujeito ético: o aspecto material, a vida; o aspecto formal, a participação dialógica; e o aspecto da efetivação, a organização e a luta. Juntas, e em complementação, estas condições potencia- lizam a efetivação da subjetividade ética, ou seja, para que esta se concretize na realidade das vítimas, sobretudo, incidindo para promover ações geradoras da vida, nunca do seu inverso. 96 de 244