A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Seite 205

A democracia banida estão sempre por vir, diríamos. Mas a democracia que temos é fraca, incompleta, imperfeita, obstaculizadora, está sempre ain- da por se fazer e, como ideal, ela pode ser constantemente uma democracia expurgada, reforçamos, banida. É o que vemos, por exemplo, nas formas ilegítimas de tomada do poder, na descon- sideração de resultados de eleições democráticas, na forja de res- ponsabilidades criminais de indivíduos com posições de coman- do ou de governo etc. A democracia é, então, banida, quando não ban(d)ida, se quisermos apenas lembrar alguns episódios dantescos recentes, passados em 2016, na democracia brasilei- ra.(o comportamento reprovável do congresso brasileiro diante de inexistente crime de responsabilidade da então presidente de república, o comportamento de grande parte dos políticos dian- te da corrupção, o desrespeito flagrante à Constituição do país, etc.). Nesta democracia ban(d)ida que indivíduo temos, que ho- mem temos? Temos o que Stirner denominou de monstro inu- mano, ou seja, um certo tipo peculiar de homem. Max Stirner, autor de O Único e sua Propriedade (1844), busca aquilo que é próprio do homem, o egoísmo, que ele difere do egoísmo vulgar (oposto ao altruísmo), e a ele se refere como o verdadeiro egoís- mo, o que revela a singularidade do eu ou do próprio. Para tanto, acaba por denunciar os críticos do conceito clássico de homem, e as várias formas de liberalismo (o político, o social ou comu- nismo e o humanismo, este na figura de Bruno Bauer) como es- tando todos presos ainda às figuras conceituais de homem que a desconstrução considera logocêntricas. Mesmo com o intuito de querer criticar o conceito de hu- mano, como é o caso de algumas correntes de pensamento já na- quela época em que Stirner desenvolve seu pensamento, o pressu- posto continua sendo que o “humano” é o verdadeiro, e quando o homem atua contra si próprio, contra a própria humanidade, põe em questão o próprio humano. Mesmo as massas, “as classes mais baixas do povo” serão simplesmente “massa”, ou “massa po- liticamente não relevante”, humanamente irrelevante, ou então massa inumana, uma multidão de monstros inumanos (Stirner, 204 de 244