A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 124
Aportes para pensar a democraciaa partir de Jonas e Levinas
sabilidade para com os seres não humanos ainda que não nos
desperte para normas e prescrições como seria próprio de uma
ética normativa.
Conclusão
Apesar de frequentes suspeitas de germes de autoritaris-
mo que estariam contidos na ética jonasiana, seus intérpretes as
desautorizam, mostrando o comprometimento do autor com a
democracia, apesar de reconhecer alguns limites em suas estru-
turas atuais que podem ser prejudiciais à natureza. Dois compo-
nentes se anunciam então como sendo absolutamente necessá-
rios num pensamento jonasiano da democracia: uma disciplina
capaz de frear o desejo crescente de consumo das atuais gerações
que, apesar disso, não sacrifique inteiramente a liberdade das ge-
rações atuais e um estilo de vida mais simples e menos consumis-
ta. O autor admite e recomenda que soluções impostas de cima
para baixo são não somente indesejáveis como também inefica-
zes muitas vezes, sendo o único caminho a busca de um consen-
so entre os países e os cidadãos como os únicos meios capazes de
impedir um possível aniquilamento da humanidade.
Da parte de Levinas, o autor, ao negar autonomia à política,
dando-lhe um caráter de secundária em relação à ética, aponta
saídas a partir da construção de estruturas políticas que não se
tornem rígidas e autoritárias a ponto de não mais serem incomo-
dadas pelas exigências das novas alteridades e seus clamores. A
capacidade de a ética interromper a política ensina que a demo-
cracia deve estar sempre em construção, reformando suas estru-
turas quando estas se tornam inadequadas ou insuficientes para
responder às demandas do outro. Nesse sentido, a autonomiza-
ção da política com seu consequente afastamento da ética são os
mais evidentes perigos que a levam rumo ao totalitarismo. Como
o totalitarismo político se funda sobre um totalitarismo ontoló-
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