A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 108
Aportes para pensar a democraciaa partir de Jonas e Levinas
Há ainda outras soluções que Jonas oferece como a criação
de um fundo formado com uma parte dos excedentes de países
ricos para os países pobres satisfazerem suas necessidades dentro
de uma política de repartição de bens. Só se pode exigir dos paí-
ses menos desenvolvidos que eles controlem sua taxa de natali-
dade e não que eles limitem ainda mais sua produtividade. Faz-se
necessário assim encontrar um equilíbrio entre os excessos de
produção de riquezas dos países ricos e a pobreza dos países ao
sul. Com isso, os países possuidores de tecnologia teriam de ofe-
recer aos demais o acesso à técnica, embora isso vá resultar em
aumento do domínio tecnológico sobre a natureza. Aqui tam-
bém Jonas admite todas as dificuldades inerentes ao consenso
em torno de um método aceitável tanto ao homem como à natu-
reza. A assembleia das Nações Unidas, em 2012, que ficou conhe-
cida como Rio + 20 mostrou a grande dificuldade de atingir um
consenso a nível global. Embora cético quanto à possibilidade de
um consenso global, Jonas não vê muitas alternativas a não ser
a busca constante de um limite à exploração dos recursos natu-
rais do planeta. Outra dificuldade é que os especialistas ditem
normas a toda a população sobre como usar os recursos natu-
rais, caindo num certo elitismo de um tipo de ditadura de sábios
igualmente pernicioso ao espírito democrático. Nesse aspecto,
Jonas se mostra também democrático ao admitir que tal elitismo
não é desejável, embora o filósofo fale em seus textos de “uma
elite ética e intelectual capaz de assumir responsabilidade pelo
futuro”. Schoefs ressalta que convenções internacionais com po-
der efetivo tanto político quanto jurídico, com um estatuto legal
e poder de sanção para punir estados que abusam seria o mais
desejável e efetivo (Schoefs, 2009, p. 110).
Concluindo, Jonas não tem soluções prontas e definitivas,
mas parece apontar que um estilo de vida mais simples e um cer-
to nível de ascetismo será necessário para reeducar a população
mundial no uso dos recursos naturais e que isso pode exigir um
certo limite no nível de liberdade dos cidadãos. Ele não perde
sua crença no ser humano do futuro, aquele que é capaz de se
abrir à novidade sem se entregar a um determinismo insolúvel.
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