A emergência da tecnologia verde e os limites entre a utopia e a realidade
Outra corrente dentro da economia contemporânea a se preocupar com a natureza e a propor caminhos para o desenvolvimento sustentável é a que defende mudanças na base técnica dos sistemas produtivos, com fundamento no que se chama tecnologia verde, Green technology. Esta se define como a tecnologia“ amiga do ambiente” e é concebida para ser utilizada de maneira a conservar os recursos naturais e não degradar o ambiente. A tecnologia verde, também chamada ambiental e limpa, embora se encontre ainda nos estágios iniciais de seu desenvolvimento, é uma grande promessa de novos conceitos inovadores capazes de mudar aspectos da nossa civilização.
A expectativa atual é que este campo irá trazer inovação e mudanças na vida diária de magnitude semelhante à“ tecnologia da informação”, como uma inovação radical que muda os sistemas de produção, a prestação de serviços e a vida quotidiana. Nesses estágios iniciais, é impossível já prever o que“ tecnologia verde” pode eventualmente abranger.
De acordo com Hinterberger, Luks e Stewen( 1999), as tecnologias verdes poderão demonstrar eficiência se vierem associadas com um esforço da sociedade civil e do Estado para reduzir a materialização do consumo. Para estes autores, a desmaterialização deve ser vista como princípio guia de uma política ambiental. Neste sentido, implica em revisões de conceitos que repercutam sobre a base epistemológica da pesquisa e desenvolvimento, P & D. Para os autores, obter mais com menos não é uma utopia, mas requer mudanças de paradigma no mundo científico e tecnológico. Implica também em remover resistências nos processos político-administrativos, no poder e nos interesses pessoais. Significa também um processo de mudança social por meio de novas instituições e de definições do que seriam os comportamentos estruturais danosos à sociedade e ao ambiente.
A política de ciência e tecnologia, PCT, dentro da visão da tecnologia verde, seria essencial, visto ser ela a induzir a P & D nas empresas, universidades e institutos de pesquisa com o enfoque da“ tecnologia verde” e da desmaterialização.
A biocivilização na passagem da era industrial para a pós-industrial
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