tem sofrido maiores restrições de outros governos. Os europeus
tentam evitar o desmantelamento do acordo com a Turquia que
reduziu a entrada de refugiados na União Europeia, sobretudo os
que chegavam em barcos precários a cruzar o Mar Egeu.
Por esse acordo, em vigor desde março de 2016, a União Euro-
peia pode mandar de volta para a Turquia os migrantes que
chegam ilegalmente nas ilhas gregas, em troca de redução das
exigências nos vistos para os nacionais turcos e ajuda financeira.
Por outro lado, uma escalada do conflito político com a União
Europeia pesaria sobre a economia turca, que já teve um boom na
primeira década do século, está estagnada, a inflação em dois
dígitos, a taxa de desemprego em 12,7%, e a lira turca perdendo
valor. A União Europeia, em particular a Alemanha, é o principal
parceiro comercial, para onde vão 45% das exportações e de onde
vêm 40% das importações.
Os americanos são igualmente cuidadosos com esse aliado na
Otan. Há anos tentam organizar operações conjuntas com a
Turquia para combater o Estado Islâmico na Síria. As negociações
se dão há três anos, com altos e baixos, e sempre foram complica-
das: enquanto a Turquia procura impedir que curdos ganhem
força na Síria, por temer uma união entre o partido YPG (Unida-
des de Proteção do Povo Curdo), da Síria, e o PKK, da Turquia, os
Estados Unidos sempre buscaram maneiras de colaborar com a
oposição curda na Síria, inclusive o YPG, que tem os grupos mais
bem treinados e organizados e com melhor rede de apoio interna-
cional. Além disso, há a preocupação de evitar que se reforce
ainda mais e se consolide a nova aliança entre a Turquia e a
Rússia no combate ao EI na Síria e nas várias tentativas de obter
um cessar-fogo. E assim a diplomacia americana estava espe-
rando o referendo turco de abril deste ano, pois, passada a campa-
nha, Erdogan teria menos incentivo para explorar sentimentos
nacionalistas contra os Estados Unidos.
Mais recentemente, organizações de direitos humanos e
alguns políticos europeus, inclusive Carl Bildt, ex-primeiro
ministro da Suécia, se mobilizaram contra a prisão, dia 5 de
julho, de dez ativistas que participavam de uma sessão de trei-
namento em segurança digital. Entre os presos, o diretor do
ramo turco da Anistia Internacional, Idil Eser, e dois técnicos
estrangeiros. Um mês antes, havia sido preso outro diretor turco
da Anistia Internacional, Taner Kilic. A acusação é de terro-
rismo. A promessa era de que estes ativistas de direitos huma-
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Helga Hoffmann