A Capitolina 11, novembro 2014 | Page 15

David França mendes escrevoe roteiros para cinema e televisão, contos e, mais recentemente, teatro. Às vezes também é diretor. É professor de roteiro há dez anos. Em 2014/2015, duas séres de ficção que criou serão produzidas, uma para o SBT e outra para o Canal Brasil. Em 2013, ganhou dois prêmios pelo roteiro de “Corações Sujos”: o Prêmio ABL de Cinema e o Prêmio de Melhor Roteiro Adaptado da Academia Brasileira de Cinema.

Eu faço esse plano. E aí, eu escrevo.

Depois, vem o segundo daqueles tempos de que falei lá no início. O tempo de reescrever, que é de outra natureza, e é ainda mais importante que os dois anteriores. Sua primeira demanda já é difícílima: você é capaz de ler o que escreveu, como se outra pessoa o tivesse escrito? isto é, você é capaz de um olhar exterior ao que produziu, como se aquilo não fosse seu, para encontrar os defeitos, as falhas, os erros?

Não se trata de mera revisão, no sentido de uma revisão ortográfica (e tem essa também!). Trata-se de um pensamento sobre todos os aspectos do que foi escrito. Isso que está aqui, que eu escrevi, cumpre o que planejei? fui numa direção diferente do esperado? Se fui, esse novo caminho é melhor ou pior do que aquela ideia que eu mapeei?

Pronto, identifiquei os problemas. Acabou essa fase? Não. Porque agora é preciso planejar de novo, quase que num retorno ao tempo inicial. Tenho que fazer o planejamento da reescrita. Como vou resolver os problemas que encontrei? isso é trabalho concreto, de novo. Sempre é.

Escrever, para mim, é todo esse processo em três tempos.