A Capitolina 10, outubro 2014 | Page 13

concepção. Só aí, encontrando as respostas mais profundas para os porquês que nunca ninguém, nem filosofia nem religião, nem uma só vez, me satisfizeram, eu desse uma chance pra qualquer convenção social ditar minhas relações.

Por isso o cinema me compensa, me inspira e faz pensar. Eu reconheço as estruturas com que as estórias são compostas, identifico as intenções só no jeito de falar, entonar, olhar e agir dos atores vivendo seus personagens, coisas que na literatura precisam estar descritas e por isso me tiram a atenção. Quero pensar o que o personagem pensa, não saber pelas palavras do autor o que ele pensa quando o personagem realiza determinada ação.

Preciso de estruturas, mesmo que provisórias como a duração de um filme, estruturas enquanto bases, sólidas, rígidas, pra que eu possa despejar sobre elas toda minha flexibilidade. Preciso da certeza das incertezas pra me convencer, ainda que por um átimo de segundo, de que nada que existe é para sempre, e talvez essa seja a beleza de existir, porque sei que sou efêmera, mesmo que tudo ao meu redor seja uma prolongação, em retalhos, de todos que já foram e serão um dia.