antes fiéis ao comando do PCUS.“ A corrosão da autoridade soviética abria o cenário de perda de legitimação do comunismo”( Pons, 2014, p. 479). A crise do movimento acentuou-se a partir da Primavera de Praga e de movimentos, mais ou menos, correlatos no Ocidente.“ De modo variado, os reformadores de Praga, os estudantes rebeldes no Ocidente, os revolucionários terceiro-mundistas puseram a nu a perda de relevância do Estado soviético e do movimento a ele ligado(...); no final da década, porém, o comunismo soviético surgia esvaziado de qualquer significado progressista(...); o comunismo internacional não mais representava um sujeito da política mundial. Aparecia cada vez mais como movimento dividido, fragmentado e destituído de projeto unitário, sinônimo de dogmatismo e conservadorismo imperial, modelo incapaz de dar respostas a questões elementares de liberdade e progresso, poder propenso a reproduzir ao infinito o uso da violência, força que perdera irremediavelmente o impulso revolucionário”.( Pons, 2014, p. 35, 479 e 561-562).
Um grupo dirigente do PCUS procurou ainda, nos anos 1980, sob o comando de Mikhail Gorbachev, renovar o socialismo real, para preservá-lo, por meio de reformas econômicas e da democratização do Estado( perestroika e glasnost). Mas ao fazer isso, despertou forças e energias, interesses e ideologias, que estavam latentes, porém adormecidas ou contidas – estas ganharam uma dimensão e dinâmica incontroláveis que levaram à sua derrocada. Por outro lado, certamente, o processo de reestruturação capitalista e de globalização desencadeado no último quartel do século 20, teve papel primordial no colapso do socialismo real.“ Déficit de capacidade hegemônica, imobilidade dogmática e marginalidade cultural prepararam o terreno para a crise final”.( Pons, 2014, p. 35).
No terceiro quartel do século 20, o socialismo real entrou numa crise irreversível que acarretou sua ruína na URSS, no leste europeu e em outras partes do mundo de forma fulminante e até mesmo inesperada, expondo seus caracteres autoritário-burocráticos em toda sua crueza.
Se, no limiar do século 20 e nas décadas seguintes, a história parecia indicar que o capitalismo estava condenado e que o futuro seria do socialismo – que prometia o paraíso terreno e / ou a emancipação dos pobres e oprimidos – já em seu término, a situação inverteu-se totalmente. Ele passou a ser identificado com autoritarismo e opressão.
Revolução Russa e O capital
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