tico-discursiva que uniu Stalin a Lenin e foi com ela que Lukács ficou. O“ Socialismo num só país”, conceito muito discutível, já que Stalin nunca perdeu a perspectiva da Revolução no Ocidente, teria fundamento real neste programa que atendia aos interesses tanto do proletariado, já muito reduzido, como do campesinato.
De modo geral, Lukács e os comunistas aceitaram este“ realismo”, este“ pragmatismo”. Lenin-Stalin-Lukács e no período de implantação do totalitarismo stalinista, com suas violências, acrescentou(-aram) a necessidade de preservar o socialismo diante da ameaça fascista e do mundo capitalista, no pós-2 ª guerra.
Este pragmatismo é resumido na famosa frase do último, sempre citada por todos, na hora em que a crítica dos opositores se fazia presente:“ O pior socialismo é melhor do que o melhor capitalismo”, ou seja, a Albânia, de Henver Hodja, era melhor do que a Suíça.
Num certo sentido, com isto ele chancelou o stalinismo( que depois o prendeu) e criou o chamado“ marxismo-leninismo”, legitimando as políticas de Stalin como uma resposta possível diante de todo o quadro internacional de isolamento da URSS.
O que parece ter mudado a concepção de Lukács, quanto ao desvio stalinista, foi a descoberta dos escritos do jovem Marx, fato que abalou a todos, desde o stalinismo, que procurou soterrar estes textos, mas também a futura direita do marxismo, que começou a destruir o marxismo-leninismo e a buscar a conexão com a filosofia, especialmente Kant, que já era importantíssimo no austro-marxismo( Korsch-Bauer).
Aqui é preciso fazer uma correção no desenvolvimento do pensamento marxista-leninista: o uso do pensamento de Plekhanov, por Stalin( seguindo Lenin), é uma fraude, talvez não intencional, mas, ainda assim, uma fraude, pois nesta elaboração não se diz que Plekhanov era menchevique. Isto é importante porque Lukács refletiu sobre as mudanças, associando erradamente Plekhanov ao stalinismo, opondo o seu suposto sociologismo à filosofia contida agora no marxismo. Até então, sem os textos do jovem Marx, esta conexão não existia e os marxistas, inclusive Plekhanov, foram acusados de reducionismo materialista e mecanicista, por resumirem tudo às“ condições materiais de existência”, quando o problema da cultura surge e já possuía base nos textos fundadores.
O que está por trás de tudo isto é a pergunta: qual é a filosofia do marxismo? Até Althusser e Habermas, passando por Poulant-
Revolução Russa: a distopia
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