À beira do precipício pd51 | Page 95

Lei Maria da Penha: depois de 12 anos ainda falta coragem Mayra Vieira Dias M aria da Penha Maia Fernandes, no ano de 1983, sofreu dois aten­t ados por seu próprio marido. No primeiro, levou um tiro nas costas enquanto dormia o que a deixou para­ plégica. E no segundo, ainda em recuperação, o marido tentou eletrocutá-la enquanto tomava banho. Após o segundo atentado, Maria da Pe­nha decidiu se separar. Foram anos de luta para provar a culpa de seu agressor. Por mais de 15 anos, o processo não teve solu­ção, até que Maria da Penha resol- veu de­nunciar o país ao Centro de Justiça, ao Di­reito Internacional (Ceijil) e ao Comitê La­ tino-Americano de Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) e à Comissão Internacio­nal de Direitos Humanos. Com muita luta, não só para solução do seu caso particular, mas engajada no com­bate à violência contra a mulher, conse­g uiu que fosse decretada pelo Congresso Nacional a Lei n. 11.340/2006. A lei que leva seu nome, Maria da Penha, foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 7 de agosto de 2006, e entrou em vigor, no dia 22 de setembro de 2006. Esta lei mudou a forma como se tratava a violência doméstica no Brasil, propondo medidas para a punição dos agressores e pa­ra a proteção das mulheres vítimas de vio­lência. Desde então, há uma luta constante não só com relação à devida aplicabilidade da lei, mas principalmente em encorajar as mulheres vítimas de violência doméstica, bem como toda a sociedade a denunciar os agressores e exigir que a Lei se cumpra. Embora existam várias conquistas após a vigência da Lei Maria da Penha, a efetividade na solução deste problema social ainda é inócua e carece de alternativas eficazes para ser atingida. Isto por­ que a sociedade não foi educada a enca­ rar a violência doméstica e familiar como um problema social e, principalmente, como um ato criminoso. Vale ressaltar que a violência doméstica e familiar é somente uma das formas de violência contra a mulher. A Lei Maria da 93