Como mudar esta realidade?
Desde o início da colonização, Portugal já percebia o potencial
das riquezas brasileiras. Então, o pau-brasil foi um símbolo desta
riqueza natural, explorado de maneira monopolista durante o
período colonial. Este modelo extrativista e de exploração dos
recursos naturais, com os seus diversos ciclos econômicos e o
próprio processo de industrialização determinaram o modelo de
desenvolvimento brasileiro, histórico e atual.
Os conflitos econômicos, sociais e ambientais gerados por este
tipo de desenvolvimento permanecem como resultado das rela-
ções predatórias e desiguais entre os diversos atores políticos,
econômicos e sociais que, historicamente e na atualidade, deter-
minam o funcionamento do Estado, do mercado e da sociedade
em geral e as relações estabelecidas do Brasil com sua própria
sociedade e com o mundo.
Os custos econômicos, sociais e ambientais deste modelo são
alarmantes. Nos últimos anos, ampliou-se o nível de degradação
da Amazônia, dos cerrados e do pantanal. Em relação à Mata
Atlântica, apesar de apenas 8% da sua mata original estar
preservada, deve-se registrar os resultados positivos obtidos
com o seu reflorestamento, nos últimos anos. Infelizmente, em
relação a todos os outros biomas, o nível de devastação tem
aumentado de maneira preocupante.
A partir dos anos 1950, com a consolidação da nossa matriz
energética (biomassa, hidráulica, petróleo, gás, nuclear), de
complexos parques industriais e a ampliação das fronteiras agrí-
cola e pecuária, tem-se ampliado a escala de poluição do ar, do
solo e da água, colocando o desafio de preservação do meio
ambiente como uma questão nacional – do Estado, do mercado e
de toda a sociedade.
O processo de urbanização acelerada, a partir dos anos 70,
agravou as questões relacionadas à segurança pública, mobili-
dade, saneamento básico, moradia, educação e saúde, chamando
a atenção para os graves problemas a ser enfrentados, historica-
mente adiados, pela sociedade brasileira.
Assim, o Brasil fez uma modernização conservadora. Avançou
tecnologicamente em algumas áreas, a exemplo da indústria de
petróleo e gás, alcoolquímica, aviação, armas e equipamentos
militares, agricultura e pecuária.
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George Gurgel de Oliveira