esperança, hostis à política e à democracia, que não conseguem mais acreditar em nada e acham que o circo merece pegar fogo.
O político preso, por sua vez, posa de vítima mas é tratado com luvas de pelica pelo sistema prisional e pelos poderes do Estado, cercado de privilégios que reforçam sua deificação. Está preso, mas circula como nunca, graças às facilidades de que goza e à complacência dos poderes do Estado. Tem um partido que o obedece em tudo, que rasteja diante da cela de Curitiba à espera das ordens e da palavra final do ungido – um partido que já foi grande mas que um belo dia regurgitou por excesso de poder, se deixou anquilosar e não consegue empreender qualquer atitude de renovação. Consegue-se, assim, manter encantados os fiéis, convertidos numa seita autoritária e fechada à divergência. O povo, impressionado, mantém-se à distância, meio triste, meio indiferente, meio encantado, confiando que a torrente de promessas demiúrgicas finalmente desabará sobre a terra.
Cegos pela irrazão, pelo desejo de vingança e pela sede de poder, os lulistas humilham seu candidato verdadeiro, um intelectual, que aceita a humilhação sem reservas e com o orgulho do dever cumprido, agindo como se fosse o vice-condottiere da marcha invencível do povo pobre. Joga-se fora o espírito cívico, a autonomia, a grandeza pessoal e o cálculo democrático, como se não houvesse amanhã e o futuro pouco importasse.
Enquanto se assiste a essa pantomina de“ esquerda” e de“ direita”, o país, ofegante e desorientado, paga o preço por seu atraso secular, por sua ingenuidade já senil, por sua incapacidade de enxergar através da névoa e da fumaça.
Passam-se os dias e o futuro vai passando sem que nunca tenhamos ingressado nele.
Tornou-se mais difícil entender que a humanidade é uma combinação diabólica de razão e paixão, o próprio homo é sapiens e demens, há um tanto de generosidade e um tanto de mesquinharia em cada um de nós, a História não se faz em linha reta, o progresso e as melhorias( que são flagrantes se olharmos para o último século) são sempre articulados com retrocessos e piora.
A opção tornou-se uma só: os brasileiros precisam tirar do fundo da alma uma dose extra de sensatez e determinação para dar alguma chance ao futuro. Não será certamente possível começar de novo, mas se houver esforço e um mínimo de união
Tempo de choques, atritos e facadas
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