Os homens-caçadores asiáticos provenientes da região do Cáucaso
e da Sibéria, durante a última glaciação, teriam atravessado o
Estreito de Bering e chegado à América.
A partir da descoberta de Luzia, passou-se a acreditar em
duas migrações separadas, uma por Bering e outra transoceâ-
nica, segundo a qual homens que habitavam a Polinésia (na região
da Oceania) se locomoveram em direção à América do Sul em
pequenos barcos. Esses teriam se movido por meio das correntes
marítimas que os conduziram. Luzia ajudou a sabermos quem
somos e de onde viemos.
Seria isso importante?
O senador Cristovam Buarque, que entre 2003 e 2004, como
Ministro da Educação do governo Lula, lançou as diretrizes da
Política Nacional de Museus, recentemente respondeu afirmativa-
mente a isso, dizendo que o povo que não respeita os museus, não
respeita seus antepassados. “O museu é o álbum de retrato do
povo”, disse. Afirmou ainda, que o incêndio do Museu Nacional foi
“uma tragédia sem precedentes” – “cremamos a memória do
Brasil” clamou o senador.
Há que ressaltar também a desmoralização internacional do
Brasil, que se mostrou incapaz de administrar um patrimônio,
que não é apenas nacional, mas mundial. Foi um constrangi-
mento para o país no exterior, especialmente perante a comuni-
dade científica e cultural do mundo.
Alguns haverão de defender que faltou dinheiro por causa da
crise econômica, mas governar é definir prioridades. Convém
lembrar que o governo Dilma queimou dinheiro com as Olimpía-
das e a construção de 12 estádios para a Copa do Mundo de 2014.
Os garotos propagandas dessa causa eram o governador Sérgio
Cabral e o presidente Lula, este ensandecido pelo sucesso efêmero,
tentava ser secretário-geral da ONU. Uma total irresponsabili-
dade que hoje nos cobra a conta.
Luzia, a primeira brasileira, ao que parece destruída definiti-
vamente pelo fogo, foi enterrada novamente, pelas cinzas. Canta-
mos enlutados a sua nova despedida.
Triste situação de uma nação que não valoriza a cultura.
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Fausto Matto Grosso