À beira do precipício pd51 | Page 152

“ a falta de uma posição social-democrata coerente” em temas migratórios como uma das debilidades estruturais do partido.
O Partido Social-Democrata da Áustria levou mais longe a mudança na matéria migratória. Sua direção apresentou uma nova plataforma( dependente de aprovação oficial) que redefine formalmente a posição do partido como“ pró-integração” em vez de pró-imigração. Se bem o documento mencione as“ responsabilidades humanitárias” do país, também demanda“ proteção efetiva” das fronteiras externas da União Europeia.
Os social-democratas dinamarqueses estão um passo adiante de seus homólogos austríacos: preparando-se para a eleição do ano entrante, adotaram um novo documento de posição sobre política migratória, intitulado“ Justa e realista”. Segundo este documento, a criação de“ centros de recepção” fora da Europa para a tramitação dos pedidos de asilo permitirá reduzir o fluxo de migrantes para a Dinamarca. O documento também pede mais cooperação com as Nações Unidas e um“ Plano Marshall” para a África, que deveria ser capaz de dissuadir a mais futuros migrantes.
Muito similar é a postura dos social-democratas suecos, que devem fazer frente a um forte apoio público ao partido ultradireitista e xenófobo Democratas. O primeiro ministro Stefan Löfven, em campanha para conseguir a reeleição em setembro, disse, não faz muito, que a política migratória tradicionalmente aberta de seu país é“ insustentável”. Sua proposta para substitui-la, intitulada“ Uma política migratória segura para um tempo novo”, reduziria à metade a entrada de refugiados na Suécia e negaria ajudas sociais aos solicitantes de asilo rechaçados( posição que os grupos pró imigração criticam duramente).
As críticas ressaltam um problema-chave. Até certo ponto, a mudança dos social-democratas em torno das questões migratórias é uma resposta necessária às demandas dos eleitores. Tratar de limitar ou manejar as migrações não é necessariamente racista ou xenófobo, sempre que as respostas políticas sejam moralmente aceitáveis.
Porém, uma mudança demasiadamente drástica pode ser prejudicial para os partidos de centro-esquerda em dificuldades. Evidentemente, não podem copiar as duras receitas nativistas da direita radical, que não só seriam economicamente contraproducentes, mas que também atentariam contra os valores progressistas e gerariam o rechaço de simpatizantes cosmopolitas.
150 Michael Bröning