atividade simples de ser empreendida. O movimento das mulheres pela busca de igualdade de direitos e de reconhecimento é, sem sombra de dúvidas, um dos fenômenos sociais mais importantes que a civilização humana já viu. Movimento, este, incontestavelmente essencial para que qualquer definição de democracia justa seja posta em prática.
Em nossa sociedade, as mulheres ainda enfrentam muitos problemas advindos da discriminação e do machismo, como o assédio moral e sexual, a violência doméstica, os estupros, a jornada dupla que muitas mulheres desempenham, trabalhando fora de casa e ainda cuidando do ambiente doméstico etc. Por isso, é imperioso que um movimento que se diz lutar pela causa das mulheres atue de forma mais pragmática, mais voltado para a realidade das coisas e dos problemas das mulheres, antes de lutar pelo reconhecimento dos gêneros como algo totalmente social.
Vivemos em uma sociedade na qual a violência doméstica ainda faz parte do cotidiano de milhões de mulheres, que são tratadas por seus pais, maridos, irmãos e companheiros como se deles fossem propriedade. Ainda há uma árdua batalha a ser travada pelas mulheres para o reconhecimento de sua igualdade em relação aos homens, e parece-me que adotar a ideia da existência de dezenas de gêneros pode prejudicar o enfrentamento dessa questão, na medida em que a proliferação de gêneros dissolve a própria especificidade da mulher enquanto gênero. Para que a desigualdade entre os gêneros possa ser combatida, é necessário retomar o componente biológico que está na base da diferenciação binária homem-mulher
Referências
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GONÇALVES, Andrey. A terceira onda do feminismo. Disponível em: < http:// olharatual. com. br / a-terceira-onda-do-feminismo />.
HARARI, Yuval Noah. Sapiens. Uma Breve História da Humanidade. 29. ed. New York: Harper, 2011.
PAGLIA, Camille. Sexual personae: art and decadence from Nefertiti to Emily Dickinson. New York: Vintage, 1990.
142 Renata Marim Hahon