À beira do precipício pd51 | 页面 136

que as elites construíram ao longo da história neste país. Daí que a sociedade deveria temer, de fato, aqueles que mentem ou se recusam a fazer a autocrítica.
Como instrumentos de mobilização e aglutinação de pessoas em torno de aparentes microcausas, as redes sociais têm demonstrado, entretanto, enorme deficiência nesse sentido. Falta-lhes autocrítica. Não há como. Quem deve fazer isso são os Partidos Políticos. Mas, para os políticos convencionais, oligárquicos ou“ anarquizados”, é quase aterrorizante trabalhar nesse mundo da imaginação, da Noosfera( MORIN, 2005), conduzido pelas redes sociais.
Torna-se, portanto, altamente oportuno o debate da problemática do novo mundo com as gerações que vão se sucedendo. Existem vários instrumentos e segredos a serem desvendados para o estabelecimento de uma conexão entre elas. Já tivemos também na História a crise das gerações, mas ela não é cíclica, e sim contínua, o que muda totalmente a forma de compreendê-la e de agir sobre esse processo no campo existencial.
O antagonismo sugerido pelo nome Parlamento Digital, concebido em 2005, com o de Parlamento convencional, começa por sugerir distâncias cada vez maiores entre a sociedade civil e a sociedade política. É oportuno perceber que o locus da discussão política vai gradativamente se deslocando dos espaços analógicos e institucionais para os imaginários e digitais em rede.
São milhões de anônimos transitando pelas redes. Cada indivíduo é quase uma célula potencialmente reprodutiva. Diante das mazelas e instintos humanos latentes pela sobrevivência tudo leva a crer que seremos governados, mais cedo ou mais tarde, digitalmente, com ou sem ódio explícito, a partir de um não-lugar. Um projeto de nação não pode ignorar essa etapa da História.
Referências
AUGÉ, Marc. Não lugares, introdução a uma teoria da antropologia da supermodernidade. São Paulo: Papirus, 1984.
BURKE, Edmund. História da Teoria Social. São Paulo: Editora Unesp, 2002.
HELLO RESEARCH. Pesquisa sobre a sociedade conectada no Brasil, set.-out./ 2012. Folha de S. Paulo, 14 / 12 / 2012.
134 Aylê-Salassié F. Quintão