damente 2005. Desde então, os índices entram em relativa estabi-
lidade em todo o mundo. Há, porém, um declínio nos últimos
anos, ocorrência que se dá notavelmente nas três regiões onde
são mais altos os níveis médios de democracia: Europa Ocidental
e América do Norte, América Latina e Caribe e Leste da Europa.
O fato de alguns dos países mais populosos (como Brasil, EUA,
Rússia e Índia, entre outros) viverem a tendência para o retro-
cesso acentua a extensão do problema e pede cuidados estatísti-
cos adicionais. Torna-se importante medir o grau de democracia
liberal e seus componentes com ponderação pelo tamanho das
populações, de maneira que se possa perceber, então, ainda que
aproximadamente, o grau de democracia de que o cidadão médio
pode valer-se, efetivamente, em cada país.
Nesse enquadramento de ponderação populacional, o nível
global de democracia liberal e eleitoral alcançou seu máximo por
volta de 2004, e agora o mundo está de volta aos contornos de
pouco depois do fim da União Soviética, em 1991. Nos últimos seis
anos, o índice foi empurrado duas décadas e meia para trás.
Na Europa Ocidental e na América do Norte, retorna-se aos
níveis de democracia de 40 anos atrás. Na América Latina, o
retrato é hoje igual ao de há 25 anos. A única região que parece
ser relativamente resiliente à atual tendência à autocratização é a
África Subsaariana, onde, pelo critério populacional, há até um
pequeno aumento do nível de democracia.
Pequim estava certa? A democracia liberal está em crise?
Há indicações de que os remédios amargos aplicados em tenta-
tivas de consertar os estragos causados mundo afora pelos desdo-
bramentos da crise financeira desencadeada nos EUA em
2007/2008 contribuíram para por em xeque a reputação de funcio-
nalidade, tanto intrínseca (seus valores e instituições) como instru-
mentais (no provimento de bem-estar) da democracia liberal. Outra
face da moeda: cresceu a simpatia por regimes autoritários-popu-
listas, supostamente competentes para abrir caminho em direção
a dias melhores. O relatório do V-Dem navega nessas águas.
O cientista político Roberto Stefan Foa, principal pesquisador
do World Values Survey e "fellow" do Electoral Integrity Project,
escreve artigo no número de julho do Journal of Democracy em
que trata de demonstrar como vai se instalando no mundo um
novo modelo de "autoritarismo capitalista".
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Cyro Andrade