A Frente de seu Tempo
Criada pelo psicólogo e suposto inventor do polígrafo William Moulton Marston, a Mulher--Maravilha chegou aos quadrinhos em uma época onde a grande maioria dos heróis protagonistas das HQs eram homens. Na DC, reinavam o Batman e Superman, enquanto o Capitão América e Tocha Humana eram um dos grandes trunfos da Marvel( então Timely Comics).
Inicialmente, Marston trabalhava como psicólogo consultor da DC Comics, ajudando os editores da época, Max Gaines e Sheldon Mayer, nas decisões editoriais que agradassem o público mais adulto. Naquele período, os quadrinhos de super-heróis receberam árduas críticas devido a violência existente em seus desenhos e suas narrativas, sempre entrelaçadas ao combate nazista. Assim, Marston conseguiu convencer Gaines e Mayer de que a solução para aliviar o tom das histórias contadas nos gibis era a criação de uma super-heroína. Para ele, era necessária a existência de uma personagem que vencesse os seus adversários não somente por meio da força física e de superpoderes, mas também explorando do amor e da humanidade interior.
A edição # 1 da revista da Mulher Maravilha
O psicólogo era uma figura folclórica a parte e com pensamentos muito a frente de seu tempo, vivendo com duas mulheres: sua esposa, Elizabeth Holloway Marston, e uma ex-aluna de quando era professora, Olive Byrne. A vida dentro daquela casa não poderia ser mais plural e aberta, com Marston tendo tido filhos com ambas as mulheres. As duas, inclusive, tinham envolvimento direto no Movimento Sufragista e no Movimento pelo Controle da Natalidade, existentes na época.
Apaixonado por mulheres guerreiras e empoderadas, o escritor se inspirou na luta do que chamava“ as novas mulheres”, aquelas libertas, fortalecidas e independentes, aquelas que, de acordo com o autor, foram responsáveis pelo crescimento do poder feminino.
Em fevereiro de 1941, Marston entregou um roteiro datilografado à Mayer, intitulado“ Suprema, a Mulher-Maravilha”. Depois de ler à narrativa, e mesmo que discordando de algumas representações feitas pelo escritor ou de sua origem extremamente fantasiosa, o editor bateu o martelado permitindo a publicação da revista com uma única alteração: ele cortaria o“ Suprema”, chamando a personagem de Mulher--Maravilha.
Assim, os meses seguintes foram de inúmeras conversas, esboços e tentativas de colocar no papel todo o imaginário da personagem que Marston havia apresentado. O autor manteve pulso firme em suas exigências de que a heroína conservasse o“ significado-subjacente de um grande movimento que estava em curso, o da escalada do poder feminino”. Por isso, exigia que toda essa representação estivesse presente na maneira de se portar, na constituição física, nas vestes e nos poderes de Diana.
Apresentando a Mulher-Maravilha
Com uma história fantasiosa que envolvia origens relacionadas à mitologia grega, a personagem foi apresentada ao público em All Star Comics n º 8, no outono de 1941. Estabelecendo a origem da personagem como uma guerreira amazona que vivia em uma ilha paradisíaca afastada do mundo violento e podre dos homens, Diana era filha de Hipólita, a rainha amazona.
Entretanto, a paz existente na ilha é interrompida quando o capitão Steve Trevor cai de avião na terra das guerreiras, trazendo a notícia de que uma guerra alastrava o mundo humano. Em uma missão de salvação para ajudar os combatentes americanos, Hipólita decreta que a vencedora de um torneio de lutas seria a amazona escolhida a adentrar a guerra e