( 1954) e Planeta Proibido( 1956), trabalhavam com a representação da paranoia nuclear e de sua radiação, assim como os filmes de monstros gigantes. O cinema japonês, por exemplo, usou do primeiro longa de Godzilla, também de 1954, para extravasar figurativamente o medo e a dor causados pela arma de destruição em massa.
Ainda, os filmes do período expunham metaforicamente o perigo comunista, tratando-o ora como um vírus que dominava os corpos que se hospedava, ora como invasores de fora da Terra que subjulgavam a raça humana. Obras como A Morte Num Beijo( 1955), Vampiros de Alma( 1956) e Os Invasores de Corpos( 1956) exemplificam essas situações.
É interessante apontar que até a década de 60 os filmes de terror produzidos em Hollywood chocavam e assustavam por suas temáticas e construções de ambientações sombrias e macabras, não necessariamente por um horror visual repulsivo e sangrento. Essa característica é justificada pelo Código Hays, um conjunto de regras de censura que fora estabelecido na indústria cinematográfica americana na década de 30 e que perdurou até 1964.
Justamente por causa da censura estipulada pelo código Hays que o próximo ciclo de renovação do gênero viria do outro lado do oceano, na Inglaterra. Com uma liberdade criativa maior para as produções, o estúdio Hammer Films escreveu seu nome na história do
terror ao reciclar os monstros explorados pela Universal Pictures na década de 30, mas garantindo uma estética mais estilizada, trazendo mais sangue e cenas grotescas para os filmes. A Maldição de Frankenstein( 1957) e O Vampiro da Noite( 1958) foram muito bem recebidos por crítica e público, além de consagrarem a dupla Peter Cushing e Christopher Lee como dois nomes importantíssimos na representação de personagens icônicos de terror.
Enquanto os estúdios Hammer revigoravam o gênero com suas produções grotescas e sangrentas, os filmes hollywoodianos passaram também por mudanças relevantes na concepção do horror, motivados por duas transformações importantes: o fim do código Hays e o crescimento dos movimentos sociais dos anos 60. A queda da censura permitiu que os cineastas ousassem nas construções de cenas e em suas abordagens, encontrando no trabalho do oculto e sobrenatural uma grande possibilidade narrativa. O Bebe de Rosemary( 1968), O Exorcista( 1973), A Profecia( 1976) e Carrie, A Estranha( 1976) são exemplos de filmes que exploravam de sangue, vomito, contorção corporal e cenas mais fortes para chocar o espectador.
Ao mesmo tempo, as mudanças sociais intensas vividas no mundo nos anos 60 começaram a ser representadas nos filmes já no final da década. Em 1968, por exemplo, chegou aos cinemas A noite dos Mortos Vivos, de George Romero, filme que por trás do horror
Além de ser aclamado pela crítica especializada, o terror A Bruxa de Blair( 1999) tornou-se um sucesso finaneiro estrondoso. O filme, todo feito em found footage, custou apenas US $ 60 mil, arrecadando mais de US $ 200 milhões em bilheteria mundial
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