Visões da vida mundos vértices Catálogo Visões de vida mundos vértices | Page 72
Tainá Wanderley
U ma tela ou página em branco. Um muro que divide, mostrando mais de uma
perspectiva. A dúvida, originária do latim dubius, “aquele que hesita entre duas pos-
sibilidades”. Balela, nada de duas, as possibilidades são infinitas. É daí que ela surge:
do desejo de se ter tudo, de ser tudo, de fazer tudo. Não exatamente tudo, mas uma
lista interminável o suficiente para chamar de “tudo”. Mas não se pode ter tudo, é o
que dizem. Não?
Incerteza, indecisão, hesitação, falta de crença, ceticismo, desconfiança, suspeita,
sensação de escrúpulo ou receio de fazer algo, vacilação, insegurança, irresolução,
oscilação, confusão, indeterminação, indefinição, imprecisão, ambiguidade, dubi-
edade. São várias as definições de dúvida, pois defini-la provoca dúvida também.
Nem sequer é possível escolher apenas uma ou duas dessas palavras para citar.
A dúvida. Não tenho certeza de ser exatamente ela, disso também tenho dúvida.
Mas uma coisa é certa: fragmentação. A sensação de se estar dividido, quebrado em
mil pedaços, já que as alternativas são inúmeras. Por que é tão difícil decidir? Medo.
Medo da perda, apego. Medo que pode paralisar, quando dele não se tem consciên-
cia. Consciência de que se pode eleger: afinal, o que mostrar, o que esconder? Ten-
do consciência do processo que é a dúvida, tudo muda, muda tudo. Muda? Sou a
própria dúvida, em carne e osso.