Glossário
Satélite GRACE( Gravity Recovery and Climate Experiment) é uma missão conjunta da NASA e do GFZ( German Research Centre for Geosciences) lançada em 2002. Consiste em 2 satélites que medem pequenas variações mensais no campo gravitacional da Terra, produzidas por alterações na distribuição de massas de água do planeta. Os dados do GRACE são fundamentalmente usados para estudar o ciclo hidrológico da Terra e as alterações climáticas.
As variações de carga associadas ao peso da água podem gerar forças que alteram o equilíbrio em falhas superficiais da crosta terrestre, gerando pequenos sismos. Descobrimos que nos Açores, no período entre 2008 e 2018, se contabilizam mais sismos nos meses de verão do que nos meses de inverno. O estudo que descreve esta descoberta divide-se em 2 partes.
Como provámos haver mais sismos no verão?
Calculámos a razão entre o número de sismos no verão e o número de sismos no inverno e verificámos que ela é positiva, mesmo para sismos com magnitudes entre 3 e 4, acima do nível de ruído sísmico. Fizemos esta análise para quatro setores dos Açores( Fig. 1) mas é só na região do cluster A que os resultados são estatisticamente significativos.
Ruído sísmico é a vibração contínua e
aleatória do solo podendo ser causada por diversas fontes,
como o vento, as ondas do oceano, o tráfego de veículos e as
atividades humanas em geral. Este ruído pode interferir na deteção e análise de terramotos, tornando difícil extrair informações precisas do sinal sísmico. No entanto, o ruído sísmico também pode ser usado como uma ferramenta para monitorar a estrutura interna da Terra.
Cluster de sismos são uma série de terramotos que compartilham características comuns e ocorrem numa região específica durante um período de tempo
limitado. Os clusters ocorrem em zonas de falhas ativas e
geralmente são causados pelo acumular de tensão na
crosta terrestre ou por processos de despressurização em reservatórios de fluidos subterrâneos como por exemplo câmaras magmáticas.
Figura 1. Mapa da junção tripla dos Açores( Europa-África-América) com a distribuição dos sismos ocorridos no oceano entre 2008 e 2018( catálogo do IPMA). Diferentes cores indicam clusters de sismos e respetivo mecanismo focal representativo em 4 zonas distintas( A – D).
Demonstrámos que a relação é estatisticamente significativa através da construção e análise de catálogos sísmicos sintéticos recorrendo ao método de Monte Carlo. Finalmente, verificámos que esta relação positiva acontece independentemente de eventos anormais, como por exemplo crises sísmicas que tenham decorrido no período da análise.
Quais as explicações possíveis?
Nas cristas médio-oceânicas, como por exemplo a crista médio-Atlântica( MAR na Fig. 1), observa-se que há mais sismos durante a maré baixa.
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