Série Iniciados Vol. 23 | Page 567

Estratégias semântico-argumentativas e enunciativas em charges sobre o processo de impeachment recuperar um discurso alheio da coletividade e subvertê-lo ou captá-lo na integra (intertextualidade). Além de trazer vozes alheias para dentro do discurso, o locutor chargista posiciona-se criticamente a respeito delas, ora apresentado, ora assimilando, mas, principalmente, ironizando e negando. De certa forma, era de se esperar, majoritariamente, o predomínio da ironia e da negação, uma vez que o gênero em questão encontra-se no domínio jornalístico no grupo dos gêneros crítico-analíticos, tendo como características principais de sua constituição o humor satírico e a crítica com forte viés político, utilizando o recurso do humor para conscientizar o leitor e, ao mesmo tempo, opor-se aos problemas sociais. A temática do impeachment exemplifica bem esses pontos, pois foi um assunto de grande repercussão na mídia e que dividiu opiniões, no país inteiro, dos que eram a favor e dos que eram contra a saída da presidente Dilma do poder, portanto um assunto de grande controvérsia social. A respeito das diferentes estratégias ativadoras da polifonia, constatou-se que foram utilizadas a pressuposição e a negação linguística, na polifonia de enunciadores, a presença das vozes tanto dos personagens ou da voz do próprio chargista, na polifonia de locutores, e a captação ou subversão de um discurso alheio recuperado da coletividade, na intertextualidade. Por fim, conclui-se que o uso da polifonia relaciona-se na maioria dos casos com um forte traço característico do gênero charge - o humor com viés crítico social-político - um recurso recorrente e utilizado para contrapor discursos, com o propósito de conscientizar e levar o leitor a refletir criticamente sobre acontecimentos de grande discussão ou controvérsia social e que afetam diretamente a vida de todos na sociedade. Referências BAKHTIN, M. Os gêneros discursivos. In:_____. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003[1979], pp. 279-303. DUCROT, Oswald. O dizer e o dito. Revisão técnica ds tradução Eduardo Guimarães.Campinas SP: Pontes, 1987. DUCROT, Oswald. Polifonia y argumentación: Conferencias del Seminario Teoría de La Argumentación y Análisis del Discurso. Cali: Universidad del Valle, 1998. ESPÍNDOLA, Lucienne. A Charge no Ensino de Língua Portuguesa. Letr@ Viv@, Universidade Federal da Paraíba, vol.1, n°3. João Pessoa: Idéia, 2001. ESPÍNDOLA, Lucienne C. (org.); SILVA, Joseli Maria da. Argumentação e linguagem. João Pessoa: EDUFPB, 2004. KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Argumentação e Linguagem. 7 edição. São Paulo: Cortez, 2002. KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 2010. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais no ensino de língua. In:____. Produção de 568 Série Iniciados v. 23