Estratégias semântico-argumentativas e enunciativas em charges sobre o processo de impeachment
recuperar um discurso alheio da coletividade
e subvertê-lo ou captá-lo na integra
(intertextualidade).
Além de trazer vozes alheias para
dentro do discurso, o locutor chargista
posiciona-se
criticamente
a
respeito
delas, ora apresentado, ora assimilando,
mas,
principalmente,
ironizando
e
negando. De certa forma, era de se esperar,
majoritariamente, o predomínio da ironia e
da negação, uma vez que o gênero em questão
encontra-se no domínio jornalístico no grupo
dos gêneros crítico-analíticos, tendo como
características principais de sua constituição
o humor satírico e a crítica com forte viés
político, utilizando o recurso do humor para
conscientizar o leitor e, ao mesmo tempo,
opor-se aos problemas sociais. A temática do
impeachment exemplifica bem esses pontos,
pois foi um assunto de grande repercussão na
mídia e que dividiu opiniões, no país inteiro,
dos que eram a favor e dos que eram contra a
saída da presidente Dilma do poder, portanto
um assunto de grande controvérsia social.
A respeito das diferentes estratégias
ativadoras da polifonia, constatou-se que
foram utilizadas a pressuposição e a negação
linguística, na polifonia de enunciadores, a
presença das vozes tanto dos personagens ou
da voz do próprio chargista, na polifonia de
locutores, e a captação ou subversão de um
discurso alheio recuperado da coletividade,
na intertextualidade. Por fim, conclui-se que
o uso da polifonia relaciona-se na maioria
dos casos com um forte traço característico
do gênero charge - o humor com viés crítico
social-político - um recurso recorrente e
utilizado para contrapor discursos, com o
propósito de conscientizar e levar o leitor a
refletir criticamente sobre acontecimentos
de grande discussão ou controvérsia social
e que afetam diretamente a vida de todos na
sociedade.
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