Série Iniciados Vol. 23 | Seite 512

Síntese de Ca3Co4O9 (C349) para aplicações termoelétricas e eletroquímicas: potencialidade do uso de conchas de marisco como fonte natural de cálcio Na figura 13 observa-se que com o uso do pó de conchas calcinado a 550°C, assim como o CaCO 3 in natura, apresentam os mesmos picos cristalográficos e consequentemente as mesmas fases de cobaltato de cálcio (C349) puro, ou seja, em nenhuma das amostras se verifica fases secundárias. Figura 13. Difratograma de raios X do composto C349 obtido a partir do CaCO 3 . Em ambas as formas de carbonato de cálcio, o composto final foi o mesmo, pois, o mineral aragonita presente no carbonato de cálcio in natura se transforma em calcita quando este for submetido ao tratamento térmico durante a síntese do composto via reação do estado sólido. Logo, o uso das conchas de marisco sem tratamento térmico para obtenção do CaCO 3 e uso como material de catodo em SOFC é mais vantajoso por não necessitar de gastos energéticos para sua preparação. Compatibilidade química e mecânica Para que o material contenha boas propriedades termoelétricas e seja aplicável em dispositivos como material de catodo é de extrema importância a análise da microestrutura avaliando a porosidade e a compatibilidade química entre os diferentes compostos do dispositivo. A compatibilidade entre o eletrólito e o eletrodo é necessária 512 Série Iniciados v. 23 para que haja um bom funcionamento da célula. Imagens em escala micrométricas foram obtidas através de um microscópio eletrônico de varredura (MEV). As imagens na Figura 19 mostram o comportamento da adesão entre do eletrodo (CGO) e o catodo (C349) após a sinterização a 900°C e a porosidade do material catodo. É possível ver por meio da Fig. 14 que há uma ótima adesão do material de catodo na superfície do eletrólito CGO, sem rachaduras, trincas ou empenamentos. A justificativa desse resultado é que o C349 obtido possui coeficiente de expansão térmica próximo ao do eletrólito CGO e são quimicamente compatíveis permitindo uma longa vida útil ao dispositivo mesmo quando submetidos a ciclos térmicos. Durante a sinterização em altas temperaturas, os compostos de catodo e eletrólito se mantém estáveis, não alterando suas fases cristalina ou química.