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Incorporação do traçado das ruas e lotes para estimativa do tempo de deslocamento do escoamento em áreas urbanas
hidrológico aplicado no projeto ao qual essa pesquisa está atrelada.
Fundamentação teórica
A impermeabilização do solo é um aspecto estritamente relacionado ao processo de urbanização. Como alguns dos resultados dessa impermeabilização estão o aumento das vazões máximas e a antecipação do tempo que essas vazões levam para ocorrer, isto é, o tempo de pico do hidrograma( Campana e Tucci, 1999). Isso ocorre, pois, impossibilitada de infiltrar no solo, a água passa a escoar no mesmo instante em que toca o chão, então os corpos hídricos da bacia hidrográfica recebem mais água e a vazão chega ao seu máximo em um intervalo de tempo menor do que se o solo apresentasse uma maior permeabilidade.
Atrelados ao aumento da impermeabilização do solo estão os sistemas de drenagem urbana, na sua maioria ineficientes, ou seja, mal projetados ou mal executados, que apenas transferem o problema do escoamento para jusante, o que leva ao aumento da intensidade e frequência das inundações urbanas( Silva, 2017). Essas inundações causam inúmeros transtornos à população, como a transmissão de doenças de veiculação hídrica, perdas de bens materiais e até mesmo perdas de vidas humanas. Diante disso, entende-se a necessidade da tomada de decisões corretas para solucionar e mitigar problemas dessa natureza.
Para se gerir os recursos hídricos de uma forma eficiente é essencial entender o comportamento da bacia hidrográfica. Esse entendimento pode ser obtido através dos modelos hidrológicos, que têm a finalidade de compreender e melhor representar a bacia, podendo então prever a sua resposta a diferentes ações, como por exemplo modificações no uso do solo e precipitações extremas. Por meio dessas informações é possível antecipar aos eventos e então se tomar medidas preventivas( Paz e Collischonn, 2008; Tucci, 1998).
A heterogeneidade física da bacia hidrográfica é um fator limitante da modelagem hidrológica( Tucci, 1998). Esse fato tem levado ao desenvolvimento de modelos que discretizam a bacia, ou seja, subdividem a região para melhor representa-la. Para a elaboração de modelos com essa abordagem distribuída é crescente o uso de técnicas de geoprocessamento para obtenção de informações( Costa, 2013). Esse fato ocorre devido ao desenvolvimento e aprimoramento dos Sistemas de Informações Geográficas( SIGs) e de algoritmos de processamento automático, somado ao aumento da capacidade computacional e à disponibilidade de dados de sensoriamento remoto( Paz e Collischonn, 2008).
Por meio dos softwares de geoprocessamento as informações da bacia hidrográfica são obtidas através do processamento do Modelo Digital de Elevação( MDE). O MDE é uma imagem em formato raster, ou seja, possui uma representação matricial, onde cada pixel recebe o atributo da elevação do terreno. A partir do processamento do MDE é possível determinar produtos como direções fluxo, rede de drenagem e delimitação da bacia. Esses dados são extremamente necessários para a realização dos estudos hidrológicos.
A resolução espacial, isto é, o tamanho do pixel e a topografia do terreno são alguns fatores que estão relacionados à precisão com que o MDE é capaz de reproduzir a realidade hidrológica da bacia. Além disso, podem existir também problemas relacionados à alteração de processos hidrológicos causados por impactos antrópicos( Callow et al., 2007). Duke et al.( 2003) mostram que frequentemente as estradas e as valas não são representadas no MDE e isso pode resultar em modelos hidrológicos muito simplificados e irreais.
No entanto, existem procedimentos que podem ser realizados com o intuito de melhorar a forma como o MDE representa a realidade. Dentre esses métodos está a incorporação do traçado das ruas e estradas no MDE, processo conhecido como street burning, que vem sendo identificado como um método bastante significativo( Callow et
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