Série Iniciados Vol. 23 | Page 423

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas Conclusões A partir da análise sobre o modelo conventual produzido pelo clero regular ao longo dos séculos, o estudo comparativo realizado entre os conjuntos edificados na antiga cidade da Parahyba detectou diversas semelhanças, principalmente no tocante às quatro propriedades elencadas no texto. No âmbito da implantação dos complexos arquitetônicos, todos os conjuntos ocuparam grandes áreas na parte alta da cidade, quando não, quadras completas onde sua arquitetura de caráter monumental marcava território. Tais evidências confirmam o potencial que ofereciam para o direcionamento da expansão da malha urbana, para sua defesa, e também para a demonstração do poder da Igreja Católica como agente da ordem lusitana estabelecida na colônia. A morfologia geral da igreja constituiu outra convergência em termos de arquitetura. Os três templos existentes – franciscano, carmelita e beneditino – apresentam nave única com capela-mor na cabeceira, ao mesmo tempo que registros documentais descrevem a igreja desaparecida dos jesuítas com o similar partido de nave. Ainda com relação à nave única, a presença de púlpito e tribunas igualmente caracterizam as igrejas. Com relação às fachadas, elas são marcadas por três níveis superpostos, sendo guarnecidas por torre única, além de apresentarem elementos formais barrocos. A semelhança da quadra claustral consta como quarto indicador de convergência de características formais, remetendo aos modelos cenobíticos primitivos e medievais, pela primeira vez representados graficamente na preciosa planta de St. Gall, na Suíça. É importante registrar que tais evidências verificadas in loco ganham peso na medida em que corroboram com dados obtidos na pesquisa bibliográfica, principalmente aqueles relativos à configuração espacial dos conjuntos antigos, que, mesmo tendo sofrido modificações a posteriori, claramente reproduzem matrizes empregadas no passado mais remoto, onde o claustro funcionava como núcleo principal da vida monástica. Paralelamente, o recurso à iconografia, apesar de escassa, teve grande impacto na investigação, por ilustrar, mesmo que de forma incipiente, a linguagem primitiva dos mosteiros e conventos abordados. Nesse sentido, vale salientar dois aspectos importantes verificados no presente ensaio, além dos exemplares arquitetônicos estudados: primeiro, a importância da conservação do registro iconográfico enquanto documento histórico – sem ele a antiga igreja jesuíta não poderia ser analisada – e segundo, a necessidade vital de uma legislação de proteção do patrimônio arquitetônico, que, se existisse ao nível do Brasil em 1929, teria evitado a demolição criminosa da referida igreja, contemplada atualmente graças às raras fotografias do início do século XX. Referências BARBOSA, Cônego Florentino. Monumentos Históricos e Artísticos da Paraíba, Editora União, João Pessoa, 1994. BAZIN, Germain. Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil, II vols., Tradução Nunes, Glória Lúcia, Editorial Record, Rio de Janeiro, 1983. BOXER, Charles R. O império marítimo português 1415-1825, Trad. Anna Olga de Barros Barreto, Companhia das letras, São Paulo, 2002. BURITY, Glauce Maria Navarro. A Presença dos Franciscanos na Paraíba através do Convento Série Iniciados v. 23 423