O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
Conclusões
A partir da análise sobre o modelo
conventual produzido pelo clero regular ao
longo dos séculos, o estudo comparativo
realizado entre os conjuntos edificados na
antiga cidade da Parahyba detectou diversas
semelhanças, principalmente no tocante
às quatro propriedades elencadas no texto.
No âmbito da implantação dos complexos
arquitetônicos, todos os conjuntos ocuparam
grandes áreas na parte alta da cidade, quando
não, quadras completas onde sua arquitetura
de caráter monumental marcava território.
Tais evidências confirmam o potencial
que ofereciam para o direcionamento da
expansão da malha urbana, para sua defesa,
e também para a demonstração do poder
da Igreja Católica como agente da ordem
lusitana estabelecida na colônia.
A morfologia geral da igreja constituiu
outra convergência em termos de arquitetura.
Os três templos existentes – franciscano,
carmelita e beneditino – apresentam nave
única com capela-mor na cabeceira, ao
mesmo tempo que registros documentais
descrevem a igreja desaparecida dos jesuítas
com o similar partido de nave. Ainda com
relação à nave única, a presença de púlpito
e tribunas igualmente caracterizam as
igrejas. Com relação às fachadas, elas são
marcadas por três níveis superpostos,
sendo guarnecidas por torre única, além de
apresentarem elementos formais barrocos.
A semelhança da quadra claustral consta
como quarto indicador de convergência
de características formais, remetendo
aos modelos cenobíticos primitivos e
medievais, pela primeira vez representados
graficamente na preciosa planta de St. Gall,
na Suíça.
É importante registrar que tais
evidências verificadas in loco ganham
peso na medida em que corroboram com
dados obtidos na pesquisa bibliográfica,
principalmente
aqueles
relativos
à
configuração espacial dos conjuntos antigos,
que, mesmo tendo sofrido modificações a
posteriori, claramente reproduzem matrizes
empregadas no passado mais remoto, onde
o claustro funcionava como núcleo principal
da vida monástica.
Paralelamente,
o
recurso
à
iconografia, apesar de escassa, teve grande
impacto na investigação, por ilustrar,
mesmo que de forma incipiente, a linguagem
primitiva dos mosteiros e conventos
abordados. Nesse sentido, vale salientar
dois aspectos importantes verificados no
presente ensaio, além dos exemplares
arquitetônicos estudados: primeiro, a
importância da conservação do registro
iconográfico enquanto documento histórico
– sem ele a antiga igreja jesuíta não poderia
ser analisada – e segundo, a necessidade vital
de uma legislação de proteção do patrimônio
arquitetônico, que, se existisse ao nível do
Brasil em 1929, teria evitado a demolição
criminosa da referida igreja, contemplada
atualmente graças às raras fotografias do
início do século XX.
Referências
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União, João Pessoa, 1994.
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Lúcia, Editorial Record, Rio de Janeiro, 1983.
BOXER, Charles R. O império marítimo português 1415-1825, Trad. Anna Olga de Barros
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BURITY, Glauce Maria Navarro. A Presença dos Franciscanos na Paraíba através do Convento
Série Iniciados v. 23
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