Série Iniciados Vol. 23 | Page 420

O modelo conventual franciscano nordestino: aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas Figura 38 – Marcação horizontal em três níveis das igrejas franciscana, carmelita, jesuíta e beneditina Fonte: Acervo Luana Abrantes, 2016; FERNANDES, COSTA, 2007: p.29. (Edição Luana Abrantes). d) A quadra claustral Com relação à quadra claustral, assim como nos mosteiros primitivos citados, os exemplares da antiga Filipéia seguiram a configuração quadrangular, composta por diversos ambientes, com destaque para as celas destinadas aos dormitórios dos frades, que eram espaços pequenos providos de uma única porta e janela, e voltados para corredor com vista para o pátio central – o claustro. O claustro compreendia refeitório, cozinha, casa de oração, biblioteca, portaria, entre outros espaços do cotidiano da comunidade religiosa. Seu principal componente era o pátio central, ao redor do qual se desenvolviam todas as atividades da comunidade ali residente. Além de ser um local de contemplação para os religiosos, proporcionava ventilação e iluminação para todos os aposentos do cenóbio. O formato quadrangular fechado, influência dos mosteiros primitivos, é visto no convento franciscano e no antigo edifício jesuíta, apesar das alterações porque passou o último. A igreja dos jesuítas foi construída centralizada na propriedade, o que contribuiu para a formação de dois pátios: de um lado, se desenvolvia o Colégio, atualmente o Palácio do Governo (Figuras 39 e 40), do outro, o seminário, onde funcionou a Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba (Figuras 41 e 42). No primeiro, o pátio (anteriormente em forma de U), é de pequenas proporções, apresentando apenas duas portas de acesso e aberturas em arco pleno com balcões balaustrados (Figura 40). 420 Série Iniciados v. 23 Sua decoração se restringe a um grande painel de azulejos azuis e brancos. Atualmente possui o formato de um quadrado fechado (Figura 39). Já o segundo (Figura 42), assim como o convento franciscano (Figura 43), possui um pavimento térreo marcado por arcadas apoiadas em colunas em todo o seu perímetro, enquanto que, no pavimento superior, os corredores são separados do pátio central por pequenas colunas que apoiam diretamente o telhado. O claustro beneditino, por questões financeiras, nunca foi finalizado, sendo marcado pelo aspecto robusto e sóbrio da arquitetura portuguesa do início do período colonial (Figura 44). As três alas que o compõem são separadas do seu pátio ajardinado através de arcadas em todo o pavimento térreo, além de aberturas em arco plano no pavimento superior. Com relação ao exemplar carmelita (igualmente incompleto), são vistas arcadas apoiadas em esteios de seção retangular apenas na galeria lateral anexa à igreja, onde, logo acima se vê balcões com balaústres (Figura 45), diferenciadas das outras aberturas das demais fachadas voltadas para o pátio, sendo estas marcadas por portas e janelas retangulares com balcões em ferro, visivelmente instaladas em período posterior ao da galeria citada (Figura 46).