O modelo conventual franciscano nordestino:
aproximações com arranjos físicos de outras ordens religiosas
Figura 38 – Marcação horizontal em três níveis das igrejas franciscana, carmelita, jesuíta e
beneditina
Fonte: Acervo Luana Abrantes, 2016; FERNANDES, COSTA, 2007: p.29. (Edição Luana Abrantes).
d) A quadra claustral
Com relação à quadra claustral, assim
como nos mosteiros primitivos citados, os
exemplares da antiga Filipéia seguiram a
configuração quadrangular, composta por
diversos ambientes, com destaque para as
celas destinadas aos dormitórios dos frades,
que eram espaços pequenos providos de
uma única porta e janela, e voltados para
corredor com vista para o pátio central – o
claustro. O claustro compreendia refeitório,
cozinha, casa de oração, biblioteca,
portaria, entre outros espaços do cotidiano
da comunidade religiosa. Seu principal
componente era o pátio central, ao redor do
qual se desenvolviam todas as atividades da
comunidade ali residente. Além de ser um
local de contemplação para os religiosos,
proporcionava ventilação e iluminação para
todos os aposentos do cenóbio.
O formato quadrangular fechado, influência
dos mosteiros primitivos, é visto no
convento franciscano e no antigo edifício
jesuíta, apesar das alterações porque passou
o último. A igreja dos jesuítas foi construída
centralizada na propriedade, o que contribuiu
para a formação de dois pátios: de um
lado, se desenvolvia o Colégio, atualmente
o Palácio do Governo (Figuras 39 e 40),
do outro, o seminário, onde funcionou a
Faculdade de Direito da Universidade Federal
da Paraíba (Figuras 41 e 42). No primeiro, o
pátio (anteriormente em forma de U), é de
pequenas proporções, apresentando apenas
duas portas de acesso e aberturas em arco
pleno com balcões balaustrados (Figura 40).
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Série Iniciados v. 23
Sua decoração se restringe a um grande painel
de azulejos azuis e brancos. Atualmente
possui o formato de um quadrado fechado
(Figura 39). Já o segundo (Figura 42), assim
como o convento franciscano (Figura 43),
possui um pavimento térreo marcado por
arcadas apoiadas em colunas em todo o seu
perímetro, enquanto que, no pavimento
superior, os corredores são separados do
pátio central por pequenas colunas que
apoiam diretamente o telhado.
O claustro beneditino, por questões
financeiras, nunca foi finalizado, sendo
marcado pelo aspecto robusto e sóbrio
da arquitetura portuguesa do início do
período colonial (Figura 44). As três alas
que o compõem são separadas do seu pátio
ajardinado através de arcadas em todo o
pavimento térreo, além de aberturas em arco
plano no pavimento superior. Com relação ao
exemplar carmelita (igualmente incompleto),
são vistas arcadas apoiadas em esteios de
seção retangular apenas na galeria lateral
anexa à igreja, onde, logo acima se vê balcões
com balaústres (Figura 45), diferenciadas
das outras aberturas das demais fachadas
voltadas para o pátio, sendo estas marcadas
por portas e janelas retangulares com balcões
em ferro, visivelmente instaladas em período
posterior ao da galeria citada (Figura 46).