Série Iniciados Vol. 23 | Seite 391

Morrer no Semiárido brasileiro: secularidade, avanços e desafios Tabela 6. Perfil dos grupos de microrregiões segundo médias e valor da razão de variância entre/intra-grupos (F) segundo os indicadores de mortalidade e variáveis diversas, Semiárido, 2010. Variáveis Médias dos indicadores no grupo Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Média geral Taxa de Mortalidade Geral masculina 591,30 591,52 597,70 592,49 Taxa de Mortalidade Geral feminina 383,40 383,71 388,34 Causas mal definidas 25,47 22,37 Cobertura de óbitos 79,54 ESF microrregiões % da pop. em dom. com energia elétrica F Significância 0,06 0,9433 384,38 0,11 0,8952 20,78 23,15 2,05 0,1327 84,29 86,37 83,05 5,25 0,006* 92,72 91,48 86,66 91,09 3,40 0,036* 94,95 97,07 97,90 96,49 8,18 0,000* IDHM 0,57 0,60 0,62 0,59 58,59 0,000* Taxa de envelhecimento 8,67 8,83 8,47 8,71 1,30 0,2753 44,23 43,51 43,00 43,66 1,01 0,3678 5,53 5,85 5,78 5,73 1,80 0,1690 % de pessoas em dom. em que ninguém tem EFC % de vulneráveis e dependentes de idosos Nota: IDHM: Índice de Desenvolvimento Humano Municipal; ESF: Estratégia de Saúde da Família; EFC: Ensino Fundamental Completo. * variável significativa com p-valor < 0,05 Conclusão Os resultados deste estudo mostraram um importante avanço na qualidade dos registros de óbitos no semiárido brasileiro nas últimas décadas. Mas a trajetória para se obter uma qualidade completa dos registros de óbitos, própria dos países avançados, ainda é longa. Somente ao alcançar este nível é que será possível construir indicadores fidedignos usando diretamente os registros observados. No entanto, é possível vislumbrar este cenário em um futuro próximo. Observando a distribuição geográfica do Semiárido notou-se uma tendência de que as regiões mais ao norte possuem uma melhor qualidade se comparadas com a parte mais ao sul, predominado pela Bahia e o norte de Minas Gerais. No entanto, são nos Estados mais ao centro do Semiárido onde se observam as melhores qualidades dos registros de óbitos, com destaques para Pernambuco e Sergipe. Houve uma diminuição significativa dos óbitos categorizados como mal definidos e tem-se indícios de que o perfil epidemiológico da região não se diferencia do restante do país quando à hierarquia das principais causas de morte. Foi possível evidenciar estatisticamente uma relação entre desenvolvimento e qualidade dos registros de óbitos no Semiárido através do comportamento de algumas variáveis sintomáticas. A cobertura dos óbito s, a Estratégia de Saúde da Família e o Índice de Desenvolvimento Humano se destacaram como importantes indicadores com potencial para diferenciar a qualidade dos registros de óbitos das microrregiões. Sem embargo, a mortalidade geral não se mostrou como um discriminador geográfico. O estudo do comportamento da qualidade dos registros de óbitos revelou blocos de regiões distintivos no Semiárido, Série Iniciados v. 23 391