O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
Partindo para a porção mais baixa
da cidade, especificamente à Rua Visconde
de Inhaúma, um prédio que outrora
funcionava como alfândega chama atenção
por sua morfologia neoclássica (Figuras 36
e 37). Apesar da falta de dados cronológicos
referentes à sua construção, a linguagem
imperial deve ter sido incorporada ao edifício
na segunda metade do século XIX, pois,
em relatórios da Província naquela época,
falava-se da necessidade de construir uma
nova sede para a Alfândega, tendo em vista
que a antiga se encontrava em ruínas.
A proporção do edifício em relação
ao lote que ocupa, sua escala e imponência
em relação à via à sua frente, levam a crer
que o mesmo não fora erigido segundo a
atual implantação. Em sua Monographia
da cidade da Parahyba, Jardim (1911, p. 106)
destaca a existência do “pateo da alfandega”
Figura 36. Antiga sede da Alfândega (s/d)
Fonte: Acervo Humberto Nóbrega
Figura 37. Antiga sede da Alfândega, 2015
Fonte: Acervo Jessica Rabello
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Série Iniciados v. 23
que, provavelmente, garantia o destaque
da edificação, sem o confinamento no qual
se encontra hoje. Quanto à configuração
espacial (Figura 38), o pavimento térreo
era distribuído segundo dois alinhamentos
paralelos de seis colunas dóricas em
alvenaria de tijolos maciços. Posteriormente,
a colunata ao norte teve seu intercolúnio
vedado por alvenaria, fragmentando o
pavimento em dois espaços com atividades
distintas: associação dos moradores do Porto
do Capim, ao norte, e fábrica de divisórias
(Figura 39), ao sul (AMARAL, 2002, p. 39). O
pavimento superior, que também era ocupado
pela fábrica, não possuía subdivisões, apenas
uma linha de colunas em ferro fundido,
distribuídas no mesmo sentido das duas
colunatas do térreo, só que no meio do vão,
servindo de apoio às tesouras de madeira da
coberta.