Série Iniciados Vol. 23 | Page 370

O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba Partindo para a porção mais baixa da cidade, especificamente à Rua Visconde de Inhaúma, um prédio que outrora funcionava como alfândega chama atenção por sua morfologia neoclássica (Figuras 36 e 37). Apesar da falta de dados cronológicos referentes à sua construção, a linguagem imperial deve ter sido incorporada ao edifício na segunda metade do século XIX, pois, em relatórios da Província naquela época, falava-se da necessidade de construir uma nova sede para a Alfândega, tendo em vista que a antiga se encontrava em ruínas. A proporção do edifício em relação ao lote que ocupa, sua escala e imponência em relação à via à sua frente, levam a crer que o mesmo não fora erigido segundo a atual implantação. Em sua Monographia da cidade da Parahyba, Jardim (1911, p. 106) destaca a existência do “pateo da alfandega” Figura 36. Antiga sede da Alfândega (s/d) Fonte: Acervo Humberto Nóbrega Figura 37. Antiga sede da Alfândega, 2015 Fonte: Acervo Jessica Rabello 370 Série Iniciados v. 23 que, provavelmente, garantia o destaque da edificação, sem o confinamento no qual se encontra hoje. Quanto à configuração espacial (Figura 38), o pavimento térreo era distribuído segundo dois alinhamentos paralelos de seis colunas dóricas em alvenaria de tijolos maciços. Posteriormente, a colunata ao norte teve seu intercolúnio vedado por alvenaria, fragmentando o pavimento em dois espaços com atividades distintas: associação dos moradores do Porto do Capim, ao norte, e fábrica de divisórias (Figura 39), ao sul (AMARAL, 2002, p. 39). O pavimento superior, que também era ocupado pela fábrica, não possuía subdivisões, apenas uma linha de colunas em ferro fundido, distribuídas no mesmo sentido das duas colunatas do térreo, só que no meio do vão, servindo de apoio às tesouras de madeira da coberta.