O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
Figura 27: Detalhe da Escadaria, 2017
Fonte: Acervo Jessica Rabello
Posteriormente, o prédio abrigou
diversas repartições do Governo, como a
Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa,
e também funcionou como Escola Normal,
Correios e, eventualmente, como nosocômio,
segundo dados do IPHAEP. Em 1929, passou
por uma grande intervenção que alterou
completamente a sua volumetria; a edificação
ganhou mais dois pavimentos e suas fachadas
assumiram características da linguagem
neocolonial na versão luso-brasileira.
No mesmo ano da inauguração do
prédio do Tesouro, já se falava na construção
de um novo teatro, que seria iniciada cinco
anos mais tarde, na mesma praça (Figuras 28
e 29).
O theatro é incontestavelmente um
elemento de progresso e civilisação.
Além de exercer grande influencia nos
costumes, é uma fonte de prazer, que
presta distracção a sociedade.
Não há n’esta capital um theatro
correspondente às suas necessidades.
O edificio destinado para esse mister
não offerece as commodidades
sufficientes. E uma casa particular
sem architectura, sem gosto, de
pessima construcção, e que só no
nome é theatro.
Por demais acanhado privado de toda
aragem, é situado quasi no fim da
cidade não convida a concorrencia
de espectadores, e menos ainda
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a de companhias perfeitamente
organisadas. (ASSIS DE CARVALHO,
1868, p. 21)
Além de destacar o valor simbólico
e cultural da obra, o presidente da
Província aponta dois requisitos ligados
à funcionalidade, o primeiro diz respeito
à infraestrutura necessária para melhor
acomodar os espetáculos, e o segundo
refere-se à localização estratégica do
‘monumento’. Devido à falta de recursos,
a obra foi paralisada durante o período de
1882-1889, sendo inaugurada em novembro
de 1889 como o quinto teatro mais antigo do
Brasil, símbolo de aspiração e progresso para
a sociedade paraibana (ESCARIÃO, 2009, p.
01).