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O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
Uma parede mais espessa, ao norte do Corpo da Guarda, demarca longitudinalmente a edificação, funcionando à época, provavelmente, como limite do antigo quartel, situado na porção sul. Dessa forma, constata-se que o edifício possuía planta baixa quadrada com um pátio central( hoje ocupado por duas escadarias), em torno do qual os ambientes se dispunham de forma simétrica. A necessidade de ampliação do quartel levou à incorporação do prédio anexo, e a configuração resultante indica que houve uma tentativa de manter a noção de simetria e unidade( Figura 21). Tudo leva a crer que o‘ vazio’ da ala norte possuía as mesmas proporções do pátio ao sul, sendo ambos alinhados com os frontões da fachada principal. Nesse sentido, a preferência por adotar dois frontões ao invés de um( como se costumava utilizar), revela o compromisso com a clareza construtiva, em detrimento de critérios puramente formais. A volumetria expressa unidade, mas também sugere uma dupla espacialidade, derivada da união de duas edificações.
Segundo dados do IPHAEP, além de abrigar as instalações militares, o imóvel funcionou como Assembleia Legislativa, Inspetoria de Higiene e Escola de Aprendizes de Artífices, passando por diversas reformas desde o século XIX. A modificação mais expressiva ocorreu em 1932, quando o edifício ganhou mais um pavimento e características formais do art déco.
Situado no mesmo logradouro, o prédio do Comando Geral da Polícia militar( Figura 25) teve sua construção iniciada em 1853 para sediar o Teatro Público da capital, sob a direção do mestre de obras Antônio Polari, que viajou várias vezes a Recife a fim de conhecer a arquitetura empregada por Vauthier ao projetar o Teatro Santa Isabel( MOURA FILHA, 2000, p. 159). Segundo dados do IPHAEP, a obra foi paralisada em 1857 e, sete anos mais tarde, foi retomada para atender a outra finalidade – abrigar o Tesouro Provincial( Figura 24), cuja inauguração ocorreu em 1868. O aproveitamento da estrutura destinada ao teatro resultou em uma solução arquitetônica inadequada aos padrões almejados na época: Esse edificio, que é o mais importante d’ esta cidade, apresenta, entretanto, alguns defeitos, porque não tendo sido, em sua primitiva construcção, destinado para o actual mister, e sim para theatro, foi preciso aproveitar a obra que já estava feita para evitar o prejuízo de uma total demolição, havendo já muito serviço adiantado.( ASSIS DE CARVALHO, 1868, p. 15) É provável que o então presidente da Província estivesse se referindo à disposição dos espaços, tendo em vista que a composição volumétrica correspondia, certamente, ao partido original. A planta baixa( Figura 26) foi demarcada longitudinalmente por duas paredes espessas, que estruturam o edifício em três alas, a partir do vestíbulo. A ala central, mais estreita e delimitada pelas duas paredes, equivale à largura da escadaria presente no vestíbulo( Figura 27). Este, provavelmente, funcionaria como foyer do teatro. O arranjo induz à ideia de que havia um pátio descoberto na ala central, porém, considerando fotografias antigas, verifica-se que o prédio era inteiramente coberto por um telhado de quatro águas, com cumeeira perpendicular à fachada principal. Há a possibilidade de a coberta contínua ter sido introduzida através de reformas posteriores, ou de não estar prevista na proposta original do Tesouro. Ademais, por tratar-se da adaptação de um projeto de teatro, possivelmente o edifício não refletiu total submissão aos parâmetros clássicos relativos ao uso do espaço, porém incorporou elementos da arquitetura imperial, como a ampla escadaria e o elegante vestíbulo, além do possível pátio central, cuja existência validaria uma disposição simétrica dos cômodos.
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