Série Iniciados Vol. 23 | Seite 348

O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba outros países, como Estados Unidos e Brasil. No âmbito nacional, a assimilação do estilo se deu principalmente no século XIX, com a vinda da Família Real e as primeiras iniciativas no sentido de modernizar as capitais mais importantes, adequando-as aos padrões da Corte. Nesse contexto, a arquitetura neoclássica funcionou como uma ferramenta de transformação urbana na medida em que a ordem era superar a imagem colonial das cidades a partir da criação de cenários que exalassem o poder e a grandeza do Império. Além do inegável apelo estético evocado pela arquitetura do século XIX, a iniciativa de se construir novos prédios também estava ligada a uma necessidade funcional, uma nova demanda de usos, que já não estavam relacionados às funções religiosas, enaltecidas pela arquitetura barroca. Nesse sentido, a maioria das edificações oficiais modernas do Brasil imperial ostentava a estética neoclássica, sobretudo o Rio de Janeiro e o Recife, cuja produção foi norteada pelo academicismo francês e pelo utilitarismo da engenharia militar. Dentre os centros menores que integraram a área de influência do Recife estava a Província da Parahyba do Norte, atual João Pessoa, que, por sua proximidade à capital pernambucana, abraçou o classicismo imperial, adotando a linguagem em quase todos os seus prédios oficiais. O acervo incluiu imóveis situados em largos, praças e vias importantes da cidade alta, construídos ou reformados entre a segunda metade do século XIX e início do século XX. A homogeneidade dos elementos formais que compõem as fachadas produzidas nesse período é traduzida principalmente no uso dos frontões gregos e das cornijas e platibandas de coroamento dos edifícios. No alçado, os cunhais e pilastras vêm marcar verticalmente o ritmo das aberturas, sempre dispostas de forma simétrica com arremate superior em arco pleno ou verga reta, promovendo o equilíbrio próprio das edificações projetadas sob a égide classicizante. 348 Considerando o exposto, o presente Série Iniciados v. 23 trabalho trata da produção neoclássica na cidade da Parahyba, com o intuito de estudar a configuração física dos edifícios do gênero; analisar a funcionalidade dos respectivos arranjos espaciais, considerando os diferentes usos atribuídos aos mesmos; e avaliar até que ponto as plantas locais reproduziam aquelas tradicionalmente adotadas em modelos europeus e norte- americanos, onde a hierarquia, a simetria e a axialidade constituíam a ordem geral do planejamento dos espaços. A abordagem transcende, portanto, a análise da fachada neoclássica, visando identificar a aplicação dos princípios formais da linguagem na disposição dos ambientes das edificações. O ensaio apresenta resultados da pesquisa de Iniciação Científica (PIBIC) relativa ao período de 2016-2017, vinculada ao projeto “A arquitetura neoclássica na paisagem urbana de João Pessoa no século XIX”, desenvolvido no Laboratório de Pesquisa Projeto e Memória (LPPM) do Departamento de Arquitetura da UFPB, sob a orientação do Professor Ivan Cavalcanti Filho. No tocante ao conteúdo, o estudo divide-se em três seções: as duas primeiras compreendem a fundamentação teórica, que contempla uma revisão geral da tratadística clássica, com ênfase nos princípios relativos a espaço e função na arquitetura e sua aplicação em obras renascentistas e neoclássicas europeias; bem como a difusão do neoclassicismo no Brasil imperial e os aspectos utilitários desse repertório, tendo por base as duas vertentes de ensino formal da arquitetura. A terceira seção enfoca o objeto desta pesquisa – a produção neoclássica na cidade da Parahyba, o estudo dos arranjos físicos dos edifícios com relação às funções para as quais se destinavam, e por fim, uma análise geral da evolução dos espaços, considerando o contexto histórico e os princípios projetuais aplicados. Fundamentação teórica • A utilitas na tratadística clássica O De Architectura Libri Decem (Dez Livros da Arquitetura) constitui o tratado