O edifício institucional neoclássico e sua configuração espacial na cidade da Parahyba
outros países, como Estados Unidos e Brasil.
No âmbito nacional, a assimilação do estilo
se deu principalmente no século XIX, com a
vinda da Família Real e as primeiras iniciativas
no sentido de modernizar as capitais mais
importantes, adequando-as aos padrões
da Corte. Nesse contexto, a arquitetura
neoclássica funcionou como uma ferramenta
de transformação urbana na medida em que
a ordem era superar a imagem colonial das
cidades a partir da criação de cenários que
exalassem o poder e a grandeza do Império.
Além do inegável apelo estético
evocado pela arquitetura do século XIX,
a iniciativa de se construir novos prédios
também estava ligada a uma necessidade
funcional, uma nova demanda de usos, que
já não estavam relacionados às funções
religiosas, enaltecidas pela arquitetura
barroca. Nesse sentido, a maioria das
edificações oficiais modernas do Brasil
imperial ostentava a estética neoclássica,
sobretudo o Rio de Janeiro e o Recife, cuja
produção foi norteada pelo academicismo
francês e pelo utilitarismo da engenharia
militar. Dentre os centros menores que
integraram a área de influência do Recife
estava a Província da Parahyba do Norte,
atual João Pessoa, que, por sua proximidade à
capital pernambucana, abraçou o classicismo
imperial, adotando a linguagem em quase
todos os seus prédios oficiais.
O acervo incluiu imóveis situados
em largos, praças e vias importantes da
cidade alta, construídos ou reformados
entre a segunda metade do século XIX e
início do século XX. A homogeneidade dos
elementos formais que compõem as fachadas
produzidas nesse período é traduzida
principalmente no uso dos frontões gregos
e das cornijas e platibandas de coroamento
dos edifícios. No alçado, os cunhais e
pilastras vêm marcar verticalmente o ritmo
das aberturas, sempre dispostas de forma
simétrica com arremate superior em arco
pleno ou verga reta, promovendo o equilíbrio
próprio das edificações projetadas sob a égide
classicizante.
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Considerando o exposto, o presente
Série Iniciados v. 23
trabalho trata da produção neoclássica
na cidade da Parahyba, com o intuito de
estudar a configuração física dos edifícios
do gênero; analisar a funcionalidade dos
respectivos arranjos espaciais, considerando
os diferentes usos atribuídos aos mesmos;
e avaliar até que ponto as plantas locais
reproduziam
aquelas
tradicionalmente
adotadas em modelos europeus e norte-
americanos, onde a hierarquia, a simetria
e a axialidade constituíam a ordem geral do
planejamento dos espaços. A abordagem
transcende, portanto, a análise da fachada
neoclássica, visando identificar a aplicação
dos princípios formais da linguagem na
disposição dos ambientes das edificações.
O ensaio apresenta resultados da
pesquisa de Iniciação Científica (PIBIC)
relativa ao período de 2016-2017, vinculada
ao projeto “A arquitetura neoclássica na
paisagem urbana de João Pessoa no século
XIX”, desenvolvido no Laboratório de
Pesquisa Projeto e Memória (LPPM) do
Departamento de Arquitetura da UFPB, sob
a orientação do Professor Ivan Cavalcanti
Filho. No tocante ao conteúdo, o estudo
divide-se em três seções: as duas primeiras
compreendem a fundamentação teórica, que
contempla uma revisão geral da tratadística
clássica, com ênfase nos princípios
relativos a espaço e função na arquitetura
e sua aplicação em obras renascentistas e
neoclássicas europeias; bem como a difusão
do neoclassicismo no Brasil imperial e
os aspectos utilitários desse repertório,
tendo por base as duas vertentes de ensino
formal da arquitetura. A terceira seção
enfoca o objeto desta pesquisa – a produção
neoclássica na cidade da Parahyba, o estudo
dos arranjos físicos dos edifícios com relação
às funções para as quais se destinavam, e
por fim, uma análise geral da evolução dos
espaços, considerando o contexto histórico e
os princípios projetuais aplicados.
Fundamentação teórica
•
A utilitas na tratadística clássica
O De Architectura Libri Decem (Dez
Livros da Arquitetura) constitui o tratado