Segredos da Mente - Esquizofrenia Volume 1 | Page 7

Mais de um século depois de Emir Kraeplin ter descrito a esquizofrenia em seus estudos, o transtorno ainda desafia a comunidade mé-dica. Os tratamentos difíceis, com remédios que só curam os sintomas parcialmente, aumentam ainda mais a necessidade de investigação para o que leva algumas pessoas a desen-volver esquizofrenia e outras não.

As causas ainda são incertas, não é possível saber exa-tamente o que gera o fun-cionamento diferente do cérebro dos esquizofrênicos. Porém, como os sintomas existem, os médicos supõem que a resposta está nesse caminho, como explica o psiquiatra Mario Louzã Neto: “Algumas pesquisas mos-tram que existem alterações químicas no cérebro dessas pessoas que são as res-ponsáveis pelos sintomas”.

A ausência de causas esta-belecidas afeta até mesmo a classificação da esquizo-frenia. Para ser consi-derada doença, ela precisaria ter uma causa conhecida. Como isso ainda é impossível, as alterações de cunho psi-quiátrico são deno-minados de transtornos.

O “X” da questão: dopamina

Apesar de não haver um consenso na origem da es-quizofrenia, algumas hi-póteses podem explicar – ao menos parcialmente- algu-mas das alterações que causam os sintomas. A principal e mais antiga é a hipótese dopaminérgica, que é baseada na observação de que algumas drogas que agem bloqueando os re-ceptores de dopamina possuem efeito supressor nos sintomas positivos do transtorno.

Por isso, como explica o Dr. Louzã Neto, a maioria dos profissionais entende que de alguma forma, a dopamina está envolvida no processo “Essas alterações químicas tem a ver com um neuro-transmissor chamado dopa-mina e inclusive os remédios que a gente usa para tratar a esquizofrenia bloqueiam os receptores da dopamina”.

A dopamina é um neuro-transmissor presente em algumas áreas do cérebro, ou seja, é uma responsável por enviar “mensagens” de um neurônio para o outro, e tem funções relacionadas à motivação, controle de mo-vimentos, aprendizado, hu-mor, emoções, cognição e memória.

Todo mundo tem dopamina no cérebro, mas por alguma razão que ainda não está clara “ o cérebro do paciente com esquizofrenia libera mais dopamina”, explica Fabrício Moreira.

O farmacologista explica que isso faz com que os pacientes que possuem esquizofrenia não consigam focar no que é um estímulo importante, que demanda atenção, de uma situação que não é relevante. Isso gera algumas situações aberrantes, como os sin-tomas da paranoia presentes na maioria dos pacientes.

Os mistérios

do cérebro esquizofrênico

Entender o funcionamento do órgão em pacientes com transtorno é um verda-deiro mistério para os cientistas

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