Um dos principais desafiador para quem tem esquizofrenia é conseguir fazer os outros enxergarem além do diagnóstico. É preciso lembrar que esses pacientes são seres humanos, com desejos, capacidades, talentos e toda uma história de vida que não envolve a doença. Para saber como os pacientes se sentem, o Pietro Mastreazzi dividiu sua trajetória de vida com a esquizofrenia:
Pietro Mastreazzi, 28 anos, mora na Itália
Antes do diagnóstico, Pietro era um adolescente normal e tinha muitos amigos. Porém, ele conta que tem alucinações desse os cinco anos de idade, mas os pais achavam que era coisa de criança. Aos 14 anos, ele começou a usar maconha e depois outras drogas. Foi nesse ponto que os sintomas saíram de controle. Como todos achavam que o comportamento diferente era relaciona-do às drogas, ele foi internado para tratar no vício. Aos 18 anos, já sem usar entorpecentes, ele recebeu o diagnóstico de esquizofrenia. “Nessa época eu não tinha paz, minha cabeça era completamente louca. Dizem que o uso das drogas fez agravar o caso”, ele conta.
Internação
Quando perguntado sobre como é a experiência de ser internado, ele é taxativo: “se existe inferno, eu diria que é isso”. E completa :”Você não tem expectativa, vive dopado, pensa mas não consegue se movimentar, come sem ter fome, você perde a fé, esperança e esquece que existe mundo lá fora. Tinha dia que eu pedia para morrer”.
Sinais da Doença
Em momentos de crise, Pietro descreve
seus delírios como situações caóticas: “ Gritaria, alucinações, coisa feia, gente desfigurada, gente mal, gente morta cheia de sangue, bicho em cima de mim, aranha, escorpião, cobra”. Já as vozes costumam fazer comentários ruins sobre as pessoas ao seu redor ou rir e fazer interações com ele.
Consequências
No entanto, são as complicações que a doença traz que parecem incomodar mais o rapaz. Ele mesmo diz que “se eu não tivesse tratado, talvez estivesse morto ou talvez tivesse feito algo contra alguém num momento de surto”. Pietro conta que já se furou na coxa, na barriga e no braço por achar que estava com algo dentro do corpo, já bateu a cabeça na parede e tentou se matar.
Convivendo com a doença
Hoje, Pietro luta contra os efeitos colaterais do medicamento, como tremes, boca muito seca, tontura e sono, que atrapalham até a vida profissional dele, que é artista plástico. Ele dá a dica de ocupar a mente com trabalho e exercícios para evitar a reclusão e o sofrimento. Além disso, tenta “ser aceito em um mundo que é um fantasma”, como ele mesmo diz. E se motiva para continuar vivendo mantendo a esperança: “Todos os dias procuro na internet ‘cura da esquizofrenia’ em várias línguas, coloco formato pdf ou word na espença de ver algum artigo científico publicado”, conta.
"Se eu não tivesse tratado, talvez estivesse morto”, Pietro
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