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A Dama Negra do Samba

O que mais recordamos num primeiro momento de nossa infância são as festas regionais nas paroquias e praças públicas, dia do padroeiro ou aniversário da cidade. Há também as quermesses, cachoeiras, pescaria, brincadeiras de pega, de esconder, e mais uma grande variação. Não foi diferente com nossa Dama Negra do Samba: Dulce Monteiro.

DULCE MONTEIRO

Nascida em Jandaia do Sul no estado do Paraná onde viveu com os pais, o pai carioca e mãe mineira, e mais quinze irmãos – todos Jandaienses do Sul. Posteriomente mudaram para Vidigal Distrito de Cianorte - PR em um sítio da família onde morou até os treze anos de idade. Ajudava na colheita do café, algodão e no que mais pudesse. Estudava e ajudava nos afazeres rurais, e além das atividades recreativas tradicionais também tinha espaço para cantoria. Para sua família a convivência musical era natural, seu pai ainda jovem no Rio de Janeiro foi músico profissional, e a casa sempre estava cheia de instrumentos musicais: cordas e percussão. O pai ensinava os filhos a tocar. Nos finais de semana tinha a roda do terreirão do café, era bem organizado: Sexta feira o dia do Samba; Sábado era o Forró e Domingo era a música raiz Sertaneja. Valia todos os gêneros musicais. Sua primeira inspiração foi aos oito anos, na realidade ainda não tinha a consciência que se tratava de uma composição e a letra trazia o enredo da triste seca que assolou a região em 1963 com o título de Chama Chuva.

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