Talentoso e vaidoso. Com um temperamento forte e emotivo. Mulherengo que se casou aos 16 anos. Transita pelo Teatro de Revista com a mesma facilidade em que atraia a simpatia da realeza, como os reis da Bélgica quando de sua estadia no Brasil.
Entre suas polêmicas mais contundentes está a da autoria do Samba “Pelo Telefone”, pois Donga havia se antecipado e registrado a música que no terreiro de Tia Ciata era conhecida como “Roceiro”. Foi José do Patrocínio, seu amigo, que o quis coroar como o “Rei do Samba”, carapuça que logo vestiu e nunca mais tirou. Mesmo com as polêmicas de plágios, foi um dos primeiros artistas a registrar seus trabalhos, carimbando inclusive as suas partituras. Pelo bem da música Brasileira as polêmicas acabam resultando em Sambas. É este o caminho que vamos percorrer para contar um pouco da história deste compositor José Barbosa da Silva, também conhecido como “Sinhô” o Rei do Samba.
“Ele era o traço mais expressivo ligando os poetas, os artistas, a sociedade fina e culta às camadas da ralé urbana” (Manuel Bandeira). A família queria que estudasse flauta (era apaixonado pelo choro), mas preferiu o violão e o piano, Atento aos acontecimentos cotidianos inerentes da sociedade carioca, então sede da capital brasileira, consegue transformá-los em Sambas. Veja o exemplo de sua Marcha “Fala Baixo” composta durante o estado de sítio. O título da Marcha fazia menção quanto a censura da polícia na época. Nos versos cita “rolinha”, que na realidade era o apelido do presidente Arthur Bernardes. Foi perseguido e teve que se ausentar da efervescente noite carioca por algum tempo.
Se através desta marcha acaba tendo um problema com o maior mandatário do executivo da época, em “Eu ouço falar” (Seu Julhinho), que na realidade era um jingle para a campanha eleitoral, se encontra bajulando o candidato Julio Prestes. Rui Barbosa foi derrotado na campanha presidencial de 1919, com uma votação muito pequena, menos da metade dos votos de Epitácio Pessoa. Sinhô não deixa passar e faz “Fala meu Loro”.
Caricatura ao lado de Elias Andreato
O Rei do Samba - Sinhô
Carlos José Fernandes Neto
6 Revista Samba Acadêmico Junho 2016 1