Samba Acadêmico julho 2016 | Page 26

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1968

Bienal do Samba

Foram realizadas apenas duas Bienais do Samba pela TV Record. A Primeira em 1968 e a Segunda e última em 1971

Assim criou-se a primeira Bienal que é realizada a cada três anos. A Bienal foi na realidade um festival de música brasileira que só teve a inscrição e participação de Sambas inéditos. A maioria dos participantes foi convidada e a avaliação decorria do voto dos jurados e o conjunto da obra do autor. Neste processo muitos sambistas consagrados foram desclassificados, como foi o caso de Wilson Batista. Tom Jobim se encontrava nos Estados Unidos, mas queria participar da Bienal. Escreveu uma letra em português para a música “Wave”, com o título de “Onda”, mas o intérprete “Roberto Carlos” não quis interromper sua lua-de-mel com sua esposa Nice. Mais uma baixa na Bienal. Muitos fatos curiosos e até surpreendentes ocorreram. Quem poderia imaginar hoje em dia uma música de Cartola vaiada. Pois é, isto ocorreu com o samba “Tive Sim” de Cartola que foi interpretado por Ciro Monteiro. Este samba foi durante vaiado pelo público presente no auditório da TV Record, mas ao final acabaria se classificando em 5º lugar.

O primeiro lugar foi arrebatado pelo samba “Lapinha” de Baden e Paulo Cesar Pinheiro com interpretação de Elis Regina, mas o samba quase não participa da Bienal. Acontece que os organizadores não queriam aceitar o samba, pois alegavam que Paulo Cesar Pinheiro era muito jovem e desconhecido, mas voltaram atrás devido a insistência de Baden que ameaçou inclusive não participar mais do evento. Imaginem só se Baden houvesse desistido da parceria e inscrito outro samba. Ainda assim, o samba “Lapinha” foi acusado de plágio do folclore baiano pelo jornalista Mario Ferreira do jornal Última Hora, não prevalecendo. João da Baiana também seria acusado de plágio em razão do samba “Quando a Polícia Chegar”. A denuncia dava conta que havia se apropriado de parte de um samba executado na casa de Tia Ciata.

Outra baixa foi a de Zé Kéti com “Foi Ela”. Antes da terceira eliminatória foi anunciada a sua desclassificação. A alegação foi de que fazia parte da trilha sonora do filme “Rio, Zona Norte” de 1957 e dirigido por Nelson Pereira. No entanto esta desclassificação abriu espaço para “Coisas do Mundo Minha Nega” de Paulinho da Viola que não havia se classificado para a grande final.

Elis Regina e Os Originais do Samba dominaram a Bienal. Além de levarem o primeiro lugar, Elis foi eleita a melhor intérprete.