No entanto o contexto é totalmente diverso deste. Faz referências sobre a Música Popular Brasileira na segunda metade da década de 1960, e também os efeitos que a moçada de Liverpool causou aqui e no mundo todo. O Iê Iê Iê derivado do "yeah! Yeah!" que na tradução portuguesa do filme “A Hard Day’s Night acabou virando : Os reis do iê iê iê, e referência de música jovem, guitarra e tudo mais. A versão tupiniquim foi “Jovem Guarda”. Adoniran Barbosa também faz referência ao iê iê iê em seu samba “É uma brasa mora”.
Os festivais da TV Excelsior, Globo e principalmente Record foram os grandes líderes de audiência da época. Ao contrário do que muitos acreditam para Paulo Machado de Carvalho estes Festivais eram apenas um “SHOW” de música criado para gerar audiência. Segundo o próprio Machado de Carvalho: -“Via aquilo como um espetáculo de luta: Um bonitinho, outro bonzinho, o cara mau...”. Era o momento mais duro da Ditadura no Brasil, que virou tema de protesto nas letras das músicas dos festivais.Acontece em 1967 na cidade de São Paulo com o slogan “Defender o que é nosso” que ficou conhecida como a “Passeata Contra a Guitarra Elétrica”, tendo a frente Elis Regina, Jair Rodrigues, Geraldo Vandré, Edu Lobo, MPB4 e até Gilberto Gil que diz que estava na passeata porque tinha uma atração por Elis, mas nada tinha contra a guitarra elétrica. A passeata teria sido um plano de Marketing da TV Record para levantar o ibope do programa “O Fino da Bossa” que vinha perdendo audiência para a “Jovem Guarda”, ambos transmitidos pela emissora.
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Donec sit amet turpis dui, sit amet molestie justo. Quisque auctor, lacus sed fermentum volutpat, neque nisl rhoncus nisi, ac vulputate libero diam vitae justo. Aliquam varius adipiscing tempor. Quisque auctor, lacus sed fermentum volutpat, neque nisl rhoncus nisi.
Essa moça tá diferente
Desatentamente ao escutar a música de Chico Buarque de Holanda Essa moça tá diferente, temos a impressão de um relacionamento mal resolvido onde a moça quer mudar e não conta com o parceiro nesta mudança.
A TV Record exigia roupa de gala para os interpretes, smoking era o mais adequado. Machado de Carvalho não gostou quando viu Os Mutantes em trajes nada convencionais no palco para acompanhar Gilberto Gil em Domingo no Parque.
Chico Buarque diz que não sabia sobre o que estava para ocorrer e foi para o festival vestindo seu habitual smoking, como era exigência normal nas apresentações da TV Record. Também foi criticado pelos tropicalistas pelo seu apego ao samba tradicional. Em dezembro de 1968 responde com o artigo no jornal Última Hora de São Paulo “Nem toda loucura é genial, nem toda lucidez é velha”.
A crítica musical fazia avançar na mídia uma suposta disputa entre tropicalistas e Chico Buarque, e o embasamento teórico oferecido por figuras altamente especializadas como Augusto de Campos exigia uma tomada de posição. Chico lançava mão, então, de seus próprios referenciais: o samba, a bossa nova, Mário de Andrade, entre outros. Em Essa moça tá diferente (1970), pode-se encontrar uma alegoria para a questão, com o compositor expondo sua insatisfação de maneira bem humorada, mas já se colocando na arena de referenciais tropicalistas, ainda que retomando a ideia subjacente àquela sua famosa frase de desagravo: “não precisa dar muito tempo para se perceber que nem toda loucura é genial, como nem toda lucidez é velha”. É uma canção ligeira, que ironiza o deslumbramento com a televisão, com a música pop, com toda essa modernização que vira as costas para a tradição, para o samba.” (Arena Tropicalista: a política da cultura em Caetano e Chico, Priscila Gomes Correa, pg 10)
A verdade é que a Mídia desde o inicio do Tropicalismo tenta criar um possível desentendimento entre Chico e Caetano devido ao seus projetos distintos. Chico acha graça disso tudo.
.
21