Segunda Noite.
Sábado 25-02-2017
Pela ordem dos Desfiles
Samba Enredo
Composto por Edga Cirillo, Marcelo Casa Nossa, Dama da Vai-Vai, André Ricardo, Rodolfo Alves e Leo Rocha.
Ê laroiê... abra o caminho pro Vai-Vai passar
A energia que emana do Orun
Meus versos no acalanto de Olorun
E no Ayê... rufam atabaques no Xirê
A roda gira no Ilê, na força do candomblé
Vem da Bahia o seu axé
A lá das matas o brado ecoou
Oxóssi o caçador... Okê arô
Xangô... Kaô KAbecilê
Esparei Oyá... Obá Xirê, Obá
Ogunhê meu pai Ogum
A "Linda Estrela" esá por lá
Ilumina o terreiro de Gantois
Iaô, ô iaô... Que lindo arco-íris que Oxumarê pintou
Seguindo o caminho que a mãe sempre quis
Na força, ma fé e na mesma raiz
Um mar de oferendas pra te exaltar... Odô Iyá!
Eu vou lavar a alma nas águas de Oxalá
E sinto que o amor resplandeceu
O bem e o dom que Deus lhe deu
Ora Yê Yê Oxum, vem nos abençoar
A Bela Vista hoje vai cantar
Bate cabeça, abre a roda pra saudar
Mãe menininha do Gantois
. .
ENREDO Trecho
“No Xirê do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu… Menininha, mãe da Bahia, Ialorixá do Brasil”
Vai que vai o meu canto, soar como acalanto nos braços mágicos de Olorum…
A doce canção – o verso que balança a rede de luz do infinito universo nos acordes primordiais do tempo, como brisa ou vento, o sopro da criação que vem animar de vida o berço dos seus Orixás. Faz-se a negra corte dos reinos de África. Atravessar o oceano à terra que, assim como aconchegantes braços, se abriu e se redesenhou em seus traços – Bahia de todos os santos e de todos os seus súditos – Yorubás, Jejes e Bantos a tatuar na memória, a soberana história que venceu o Banzo, a corrente e a dor ao manter o espírito alado e livre, pela fé, na força da sua cor. Força que iluminou os terreiros e senzalas, raízes aqui fincadas como um Baobá a resistir e se impor, abrindo alas, de crença e esperança, como poder criador a reconstruir nações, pequenas Áfricas evocadas por seus tambores ancestrais, sua mais rica herança, os cantos e as danças, as tradições e os rituais. Venha transformar a passarela na sua grande casa, o "YLÊ IA OMIN AX.É IANASSÊ"; em louvação e respeito dobra o rum para o preceito do jeito que deve ser.
Revista Samba Acadêmico Fevereiro 2017 47