RPL - Revista Portuguesa sobre o Luto 2 | Page 42

Solidão

Quantos gritos cabem num silêncio? Quantas vezes nos sentimos sós entre a multidão? Caminhamos, andamos numa correria desenfreada no nosso dia-a-dia e quantas vezes paramos para nos ouvir, para fazer uma viagem ao nosso interior e sentir cada emoção?

A verdade é que raramente fazemos isso pois dói demais chegar á conclusão que temos de lidar com o que sentimos e a única forma de o fazer é enfrentar… e fazer isto é parar, escutar, observar atentamente cada sentimento que surge dentro de nós. Ou será que já deixou de haver um sentimento, passando apenas a existir o vazio? Sim … aquele vazio, aquela solidão que nos corrói que grita dentro de nós, aquele vazio onde nada parece fazer sentido e onde nada nos parece mais válido para continuar.

Existem fases da nossa vida que não conseguimos ver as outras cores do arco iris, apenas conseguimos ver o escuro, cinzento … algo sem luz que nos absorve e nos consome, sem que consigamos dizer uma única palavra.

Levantar da cama, torna-se uma das nossas maiores batalhas, pois tudo o que vai suceder são meras rotinas sem qualquer sentido, que não levam a lado nenhum, que apenas nos levam a ter de constatar que podemos estar no meio de um concerto, no meio de um cinema, num qualquer centro comercial, mas o que apenas sentimos é que estamos mais sós do que nunca.

Olhamos ao nosso redor, entramos em piloto automático: bom dia… sorrimos… aquele sorriso sem alma… boa tarde… tudo bem? … até amanhã … desejosos de ir para casa e enfiar-nos nas mantas e fechar os olhos e ficar apenas ali… sem ver ninguém… em solidão.

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