básicos do ideário liberal, tais como liberdades individuais e direitos civis, sem os quais é impossível a existência de um Estado de direito. Tradicionalmente, o pensamento de esquerda privilegiou a questão social em detrimento das liberdades democráticas; após a queda do socialismo real, não é mais possível manter esta postura. Felizmente, o PPS está bem mais capacitado para esta mudança, já que diferentemente de todas as outras correntes da esquerda brasileira, tem insistido na questão democrática, desde sua formação.
As questões ligadas às políticas de identidade e aos movimentos sociais, por sua vez, merecem uma análise mais detida, tanto por sua relevância no atual quadro político, como também pelo fato de o PPS estar se amalgamando com vários desses movimentos, existindo até propostas de mudar seu nome de partido para movimento. Além disso, os chamados“ movimentos cívicos” brasileiros apresentam características que os diferenciam tanto dos movimentos sociais clássicos como dos chamados novos movimentos sociais, o que exige uma conceituação mais elaborada do que são estes movimentos e como se diferenciam dos partidos.
Diferentemente dos movimentos sociais tradicionais, que eram baseados em classes e cujas reivindicações tinham cunho social, econômico e político, os chamados novos movimentos sociais, em sua maioria, abarcam diferentes grupos sociais e incorporam demandas específicas ligadas a identidades culturais. Neste grupo se encaixam os diversos movimentos negros, feministas, gay ou LGBT, para citar os mais conhecidos, que surgiram inicialmente na Europa e nos Estados Unidos, mas que atualmente estão presentes na maioria dos países.
É inegável a importância destes movimentos para a política, mas é preciso diferenciá-los dos partidos políticos. Como a filósofa alemã Hannah Arendt observou, certa vez, movimentos são bem o que seu nome diz: entidades que vivem uma dinâmica de constante desenvolvimento e, por isso mesmo, a cada conquista ou avanço, novas reivindicações são acrescentadas, de modo que seus objetivos gerais – a“ libertação da raça negra” ou a“ emancipação da mulher” nunca são alcançados, o que permite aos movimentos sociais manterem-se constantemente em atividade, ou seja,“ em movimento”. Estabilidade e permanência não fazem parte do ethos dos movimentos sociais.
124 Paulo César Nascimento