Educação já
Olavo Nogueira Filho
Inicialmente, as eleições brasileiras são assunto nacional – e interna cional – há meses, como parte fundamental do contexto político efervescente em que nos encontramos. E, assim como ocorre de quatro em quatro anos, promessas dos mais diversos tipos não faltarão, quando o calendário do Tribunal Superior Eleitoral( TSE) estiver pronto no início de abril.
Não é segredo para nenhum brasileiro que o país vive um de seus momentos mais críticos dos últimos anos, com crises em praticamente todas as áreas. Diante disso, o pleito eleitoral que se aproxima ganha papel estratégico para pensarmos em que Brasil queremos viver pelas próximas décadas.
E, quaisquer que sejam os candidatos eleitos, em outubro, algo se faz indispensável para uma mudança estruturante de nosso país: a priorização política da educação básica pú blica. Afinal, ainda que sozinha ela não seja capaz de resolver todos os nossos proble mas, não haverá desenvolvimento consis tente e duradouro sem educação.
Como se sabe, nas últimas décadas, avan çamos, consideravelmente, no acesso à ma trícula. Mas a universalização do ensino ain da não é realidade: observando a faixa etária entre 4 e 5 anos, hoje mais de meio milhão de crianças estão fora da escola no Brasil, núme ro que representa quase 10 % da população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística( IBGE). Desse total, pouco mais de 10 mil( 12,7 %) deveriam, mas não estão, ma triculadas na pré-escola do Distrito Federal, o que descumpre uma emenda constitucional que ampliou, em 2009, com prazo para cum primento até 2016, a obrigatoriedade da ma trícula de 6 a 14 para de 4 a 17 anos no país.
Quando aproximamos a lupa dos núme ros, com o objetivo de enxergar quem são essas crianças que estão fora da escola, a de sigualdade social, aspecto intrínseco à for mação da sociedade brasileira, deixa o qua dro ainda mais nefasto: são os mais pobres os que têm menos acesso à educação infan til. Entre as crianças
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