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Ainda hoje, o mercado de trabalho é formado predominantemente pela parcela do gênero masculino. Mas, existe uma área onde a situa- ção é contrária. Cargos públicos, no Brasil, tem ocupação feita por mulheres num número de 55% no geral. Tal ocorrência pode ser inter- pretada, tanto no ponto de vista econômica quanto social, como uma evolução que os coloca em destaque em relação a outros âmbitos de emprego. Na região dos Campos Gerais, essa situação é notável, principal- mente no ambiente escolar. Entramos em escolas estaduais e munici- pais e nos deparamos com um número muito maior de professoras do que de professores (homens) atuando em sala de aula. Também na parte da secretaria, agentes de apoio (limpeza e merenda), na direção e coordenação pedagógica. Provavelmente você tem em suas lem- branças ou no seu convívio, alguma figura feminina que se enquadra em alguma dessas posições. Para termos uma visão mais esclarecedora sobre esse nicho, entre- vistamos três professoras, uma da rede estadual e duas da rede muni- cipal de ensino. As perguntas feitas foram referentes à suas perspecti- vas sobre equidade de gênero em suas áreas, baseando-se em suas vivências. Márcia Cristina, professora de Língua Portuguesa na Rede Estadual de ensino, na cidade de Telêmaco Borba, ao ser questionada sobre os cargos de destaque e por quem eles são ocupados, pontua que ainda existe uma cultura de menosprezo à formação de mulheres para que haja a predominância de homens na liderança. Na Educação Infantil, Vanessa Arpelau analisa que a igualdade moral é algo subjetivo e difícil de se estabelecer, algo que se deve tam- bém por vivermos em uma sociedade com tantas diversidades étnicas, sociais e culturais, concordando com a visão da nossa terceira entrevis- tada, que vê não só uma pressão sobre as mulheres, mas também desa- fios que vão além, indo para um âmbito mais crítico. Porém, seus pensamentos se encontram ao exporem que, por “grande parte do serviço público é constituído por professoras e cargos do ramo administrativo que são atividades de maior interesse do públi- co feminino”, sentem mais segurança ao exercerem sua profissão por serem maioria, pensando na estabilidade e segurança que terão, tanto ao fazerem um concurso público que possui “condições de acesso que são similares ( de um gênero para o outro) por meio de seleção demo- crática e imparcial”, quanto ao ingressarem de fato, pensando “além da consolidação de uma carreira, passando pelo sucesso pessoal e a segu- rança da família”.