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REVISTA“ VOZES” 2017 / 18
ANTES E DEPOIS DE ZÉ PEDRO A cultura, abrangente área discutida no que o é e no que não o é, ficou mais pobre em Portugal. Sem lamechices balofas, o“ Homem do Leme” deixou-nos. É um facto. E também é um facto que Zé Pedro era( é) um Homem da nossa cultura, entendida como manifestação, não apenas folclórica e tradicional, como os tradicionalistas tanto gostam de definir a“ tal cultura”, mas no sentido de transformar o que Rui Veloso apresentou como alternativa ao tradicional em deveras e verdadeiramente tradicional e nosso. Sob o ponto de vista do âmbito musical, Zé Pedro fez com que velhos e novos ouvissem as suas cantigas, porventura porque a todos ressoava e ecoava um som novo nesta alma lusitana. Zé Pedro tornou a música( e as letras) em algo menos pretensioso, mas com tão inegável valor que se distingue a nossa discografia no“ antes” e no“ depois” de Zé Pedro. De facto, a música“ barulhenta” começou a fazer saltar corações e a soltar as mentes. E engana-se, se realmente“ ouviu” as suas( nossas) músicas, quem prefere assobiar para o lado, afirmando-se insensível a tão grande humanidade que se passeia pela arte deste Homem. É aqui que, falando de humanidade, cheira a perfume do Zé Pedro. O Tim brilhava( e continuará a brilhar, julgo eu), o Zé Pedro era“ só” o Homem da guitarra, mantendo-se na sombra, apresentando-se igual a todos os outros dos“ Xutos & Pontapés”. Esta humildade e a lealdade para com todos os colegas refletia-se na rua: falava com todos os que se lhe dirigiam, tinha um sorriso franco para todos os que com ele se cruzavam, era afável, sem distinguir eleitos de simples mortais … Apadrinhou novas bandas, sem medo da concorrência num mundo tão“ cão”. Não está ao alcance de todos esta“ maneira de ser”. O Zé Pedro esteve aqui, nesta Escola Secundária, numa“ Semana Aberta”( não sei quantos anos já lá vão …) e a sua personalidade cativou-me: de vedeta nem sombras. Parecia um miúdo, feliz, como os nossos alunos, por estar no meio deles. Não será um Herói nacional,

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