Moda sempre esteve presente na minha
vida. Me relaciono com ela desde criança
quando insistia para minha mãe que queria
ser modelo, e ao longo dos anos isso foi
se transformando em uma relação muito
bonita, mas também muito cansativa.
Sempre escutei coisas como: gordas não podem
usar listras, saias longas, vestidos longos, botas
de cano médio e por aí vai, por mais que eu
ficasse desconfortável, quase nunca, deixei de
usar nada que quis ou que achei bonito. Digo
quase nunca porque quando era criança um
comentário afetou por alguns anos minha
relação com saias. Eu amava usá-las de diversos
modelos e tamanhos, mas ouvi de uma amiga
que era muito feio, que minhas pernas eram
grossas demais e ficava desproporcional.
Depois desse dia eu levei muitos anos
para conseguir usar saia novamente.
E esse episódio é um em vários que meninas
gordas sofrem diariamente, só porque alguém
disse que o que deve ser usado é isso ou aquilo.
Nunca é uma relação livre, como acontece
com as meninas magras, que normalmente
são livres para escolherem o guarda-roupa
dos sonhos. Acho que nunca ouvi alguém
dizer que certo estilo de roupa é feito para
meninas gordas ou que eles ficam melhor em
meninas gordas, mas o discurso contrário é
dito a cada foto, a cada gorda que ousa usar
um cropped, uma minissaia, listras, botas
de cano médio e uma lista imensa de regras.
O tempo me fez amadurecer e buscar entender
a moda de maneira mais livre, mesmo que eu
ainda encontre dificuldades para achar peças
Clarissa é jornalista e
apaixonada por moda
Um ato de amor ao
meu corpo
que me sirvam e que tenham caimento adequado
para meu corpo. Comprar roupas para formatura,
casamento, dia a dia normalmente são um pesadelo,
mas tento sempre não supervalorizar isso.
Para entender minha relação com meu corpo
e com a moda eu comecei a seguir blogueiras
que me fizeram parar de me odiar e de cultuar
o desgosto ao meu corpo. Meninas como Juliana
Romano do blog entre topetes e vinis e a Luiza
Junqueira do canal tá querida, e a Alexandra
do Alexandrismos me mostram diariamente
que a relação com meu corpo, com minhas
roupas e com minha estética de maneira
geral não precisa ser uma guerra, e sim amor.