Revista Ultraje Edição 0 | Page 42

Moda sempre esteve presente na minha vida. Me relaciono com ela desde criança quando insistia para minha mãe que queria ser modelo, e ao longo dos anos isso foi se transformando em uma relação muito bonita, mas também muito cansativa. Sempre escutei coisas como: gordas não podem usar listras, saias longas, vestidos longos, botas de cano médio e por aí vai, por mais que eu ficasse desconfortável, quase nunca, deixei de usar nada que quis ou que achei bonito. Digo quase nunca porque quando era criança um comentário afetou por alguns anos minha relação com saias. Eu amava usá-las de diversos modelos e tamanhos, mas ouvi de uma amiga que era muito feio, que minhas pernas eram grossas demais e ficava desproporcional. Depois desse dia eu levei muitos anos para conseguir usar saia novamente. E esse episódio é um em vários que meninas gordas sofrem diariamente, só porque alguém disse que o que deve ser usado é isso ou aquilo. Nunca é uma relação livre, como acontece com as meninas magras, que normalmente são livres para escolherem o guarda-roupa dos sonhos. Acho que nunca ouvi alguém dizer que certo estilo de roupa é feito para meninas gordas ou que eles ficam melhor em meninas gordas, mas o discurso contrário é dito a cada foto, a cada gorda que ousa usar um cropped, uma minissaia, listras, botas de cano médio e uma lista imensa de regras. O tempo me fez amadurecer e buscar entender a moda de maneira mais livre, mesmo que eu ainda encontre dificuldades para achar peças Clarissa é jornalista e apaixonada por moda Um ato de amor ao meu corpo que me sirvam e que tenham caimento adequado para meu corpo. Comprar roupas para formatura, casamento, dia a dia normalmente são um pesadelo, mas tento sempre não supervalorizar isso. Para entender minha relação com meu corpo e com a moda eu comecei a seguir blogueiras que me fizeram parar de me odiar e de cultuar o desgosto ao meu corpo. Meninas como Juliana Romano do blog entre topetes e vinis e a Luiza Junqueira do canal tá querida, e a Alexandra do Alexandrismos me mostram diariamente que a relação com meu corpo, com minhas roupas e com minha estética de maneira geral não precisa ser uma guerra, e sim amor.