Revista Tipográfico - 2ª Edição tipografico vol.2 (1) | Page 58
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ço. Apesar do triste propósito, o desfile ficou lin-
díssimo e marcou época. Hoje o museu da cidade
conta em seu acervo com um look que criei para
esse momento. A inspiração veio dos momentos
de glória que aquele espaço abrigou, recebendo
artistas consagrados como Fernanda Montenegro
e movimentando a vida cultural da cidade. A fu-
são dessa época com o estado triste que o teatro se
encontrava, foram para o papel e resultaram em
looks bem interessantes
4) Qual sua opinião sobre a importância do
figurino para as produções cinematográficas?
Está ligada diretamente a personalidade da per-
sonagem. A imagem construída a partir de um
figurino contribui de maneira significativa para
alcançar os propósitos que a cena propõe. A épo-
ca, o estado emocional, a vivência, a idade, o humor,
a classe social, entre outros tantos fatores que podem
ser conquistados com essa ferramenta: o figurino.
5) Tem algum estilo cinematográfico no qual gos-
taria de assinar a “Costume Designer”? Por quê?
Gosto de tudo que desafia meu cotidiano. Mas o
lúdico sempre me atrai, permite um processo cria-
tivo prazeroso e singular.
3) Lembro que você recebera a missão de dar uma nova
"cara", criar styles utilizando as cortinas do antigo Teatro
Verdi. Como foi este convite e em que você se inspirou
para a criação desta coleção?
Na verdade, não foi bem um convite. Numa noite de chuva, pas-
sei em frente ao antigo Teatro Verdi, já em ruínas, e me deparei
com suas tradicionais cortinas de veludo jogadas na rua. Como
ator e diretor que sou, não pensei duas vezes, parei meu carro
e recolhi tudo aquilo. Em forma de protesto pelo descaso da
administração da época, criei uma coleção chamada “Glória e
Decadência” e produzi um desfile em prol a reabertura do espa-
6) O Figurinista é muito importante para com-
posição como um todo, tanto de uma produção
cinematográfica. Você mencionou ter atuado
em um curta realizado no CEUNSP o qual parti-
cipara de um Festival no México. Como foi esta
experiência e quais foram suas atuações neste
projeto? Ator, Figurino, Roteiro, Direção?
Fui protagonista de um trabalho produzido por
estudantes de cinema do Ceunsp. O resultado fi-
cou tão interessante que o filme chegou a ser exi-
bido num conceituado Festival no México.
7) Você também teve experiência prática como
figurinista de um filme, há muitos anos. Como
foi este projeto? Do que se tratava o roteiro?
O que você levou em conta para a concepção
dos figurinos? Tem registros desta época?
Assinei os figurinos de um filme chamado Razão,
nos anos 90. Ele foi gravado em super 8 e seu lan-
çamento aconteceu no Centro Cultural do Banco
Itaú em São Paulo. Meu trabalho rendeu elogios
na Folha de São Paulo pelos críticos da época. O
roteiro permitia que eu trabalhasse o exagero na
caracterização, pois os personagens e a proposta
eram bem excêntricas.