Revista Tecnicouro - Edição 313: comepleta Ed. 315 - completa (Nov/Dez - 2019) | Page 96
Cuidar do ar importa
Gustavo Loiola
Mestre em Governança e Sustentabilidade e supervisor de Sustentabilida-
de e Relações Internacionais no ISAE Escola de Negócios, responsável por
ações alinhadas com a Organização das Nações Unidas (ONU)
N
o ano de 1972 na Suécia, a socie-
dade dava um grande passo em
relação às questões ambientais,
através da Conferência de Estocolmo. Reu-
nindo líderes de diversos países e nações, se
discutiu de maneira inédita a necessidade
de conscientização e ação sobre a relação
humana com o planeta. Até então, todos os
modelos de produção e consumo se base-
avam na ideia de que o meio ambiente era
uma fonte inesgotável de recursos, e que a
ação humana não tinha um impacto direto
na natureza.
Desde então, uma série de conferências,
reuniões e pactos discutiram os impactos
e criaram mecanismos para reduzir ou
mitigar nossas ações negativas ao plane-
ta natural. Recentemente, em 2015, com
a maturidade e evolução do conceito de
sustentabilidade, a ONU lançou os Objeti-
vos do Desenvolvimento Sustentável (ODS),
com metas globais e bastante ambiciosas,
para serem atingidas até 2030.
No dia 05 de junho, celebramos o Dia do
Meio Ambiente, data pensada para esti-
mular a discussão e o debate em torno de
todas as questões que envolvem a temáti-
ca. Em 2019, o grande tema abordado foi
#CombaterAPoluiçãoDoAr, principal fator
de risco ambiental para a saúde de todo o
planeta. Considerando esse fato é imperati-
vo discutir sobre esse tema, especialmente
em um país onde 76% da população vive
em regiões urbanas e, consequente, está
exposta mais diretamente aos diversos tipos
de poluentes.
O processo industrial em muitos países
utiliza-se de muitas fontes de energia não
renováveis, sendo uma das maiores respon-
sáveis pela poluição do ar. A produção ter-
moelétrica, por exemplo, movida a carvão,
é a principal fonte energética em muitas
nações. Além disso, a indústria química, de
solventes e extração de minérios contribui
negativamente nesse panorama.
O Brasil tem um grande potencial ener-
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gético, principalmente hidroelétrica, além
de ser um dos dez maiores produtores de
energia eólica do mundo. Dessa forma, um
panorama de possibilidades se apresenta,
especialmente se pensamos que hoje não
temos grandes investimentos em energia
solar. Porém, com o processo inovativo e a
redução dos custos da tecnologia, se torna
uma oportunidade de desenvolvimento.
Segundo dados da ONU, 82 de um total
de 193 países têm incentivos para investi-
mentos em energia renovável e processos
de eficiência energética, o que estimula o
desenvolvimento nessa área e consequen-
temente impacta diretamente na qualidade
do ar dessas regiões.
Em um país como o nosso que baseia
boa parte da economia em estradas, preci-
samos também virar nossa atenção ao setor
de transporte, que representa quase um
quarto das emissões de dióxido de carbono,
ligados a uma grande quantidade de mortes
prematuras. Estruturar políticas que esti-
mulem o uso de combustíveis mais limpos,
e potencializar o processo de fiscalização e
padronização das emissões veiculares po-
dem auxiliar na redução. Veículos elétricos
ou híbridos, o uso de big data para gestão
de trânsito, aplicativos e até diferentes
meios de transporte são oportunidades
para geração de novos negócios e tecno-
logia, alinhado ao panorama apresentado
pela Agenda 2030.
Para que possamos reduzir a poluição
no ar é preciso repensar os modelos de
produção e consumo. Além dos exemplos
apresentados como transporte e indústria,
a produção agropecuária e a gestão de
resíduos também se apresentam como
pontos de alerta e atenção. No entanto,
como indivíduos também temos que refletir
sobre os nossos hábitos diários e procurar
possibilidades de reduzir o nosso impacto
negativo no meio ambiente. Nossas atitudes
importam e são necessárias para criar o
futuro que queremos.