pelo Hospital Albert Einstein e outras medicações , outros antivirais medicamentos a base de imunossupressores foram e estão sendo testados até hoje em dia . Assim nós podemos dizer que com o tempo conhecemos melhor um pouco dessa evolução da doença , nós estamos sabendo de que forma as drogas têm afetado , evoluído e tratado a doença . Basicamente eu acho que é isso que a gente tem visto nesses primeiro 740 dias , sabemos lidar melhor com o vírus , sabendo sobre a evolução e quais drogas são efetivas ou não para o tratamento do vírus .
2 - Na sua prática diária qual foi o pior momento ? Ainda nesse sentido , acredita que o esforço científico foi decisivo para aliviar o peso excessivo sobre a terapia intensiva com a alta demanda de casos ? Pode indicar uma ou mais terapias com sucesso que “ testou ”? Como eu falei anteriormente é uma doença nova . A sensação que tínhamos , no começo , era daquele filme Epidemia . Ele retratava as pessoas caídas no chão , na rua , ou seja , era a mesma imagem , não sabíamos como a pandemia seguiria . Foi terrível todos , ficamos muito assustados . Os médicos mais velhos com fatores de risco pararam de atuar , ou seja , os médicos acima de 60 anos ficaram em casa . Imagina um médico que tem uma atuação constante diária , um trabalho frequente junto ao paciente , imagina ainda o que é para ele ficar 4 meses sem sair de casa , com receio de que possa acontecer alguma coisa . Lembro mais especificamente de um domingo em que nós tivemos 4 médicos que foram entubados . Quatro médicos próximos a nós fazendo a mesma coisa que estamos acostumados a fazer diariamente e que foram intubados . Pegaram a COVID-19 e foram entubados naquele domingo . Eu sinceramente não dormi direito e posso confessar aqui pela primeira vez na minha vida como médico – e olha que estou caminhando para 30 anos de profissão – senti medo de entrar no hospital ! Aquele com certeza foi o pior momento e veja que naquela situação o número de casos não chegou nem a metade do pico da pandemia na segunda onda que foi agora , em março abril de 2021 . Posso dizer com certeza que esse foi o pior momento , pior ainda quando nós chegamos em um no pico de casos de internados no hospital que agora nessa segunda onda foi o dobro do máximo de casos da primeira onda . Nós , no começo , estávamos muito mais inseguros afinal não conhecíamos o vírus e desde o começo iniciou-se suposições , hipóteses diagnósticas e possas terapêuticas na verdade para falar qual é o melhor tratamento para esse vírus . Surgiram aí a hidroxicloroquina , a azitromicina , a ivermectina na tentativa de que esses medicamentos pudessem inibir a replicação viral e como eu disse anteriormente capitaneando pelo Hospital Albert Einstein , um grupo de hospitais de ponta , todos de São Paulo iniciaram um projeto de estudos randomizados com pacientes que tiveram um convite para achar o melhor medicamento e se esses tinham efeito ou não . Os estudos sérios com azitromicina e hidroxicloroquina concluíram que nenhum desses tinha efeito benéfico no tratamento da COVID-19 . Contudo , um remédio que percebemos efeito é um corticoide , tanto dado por via oral quanto venosa , esse sim mostrou uma melhora na evolução desses pacientes . Ultimamente também há alguns outros medicamentos antivirais e imunossupressores monoclonais ou dada em fusão de plasma fresco vieram também melhorar a evolução desses pacientes . Na verdade o que é o mais importante é a identificação precoce de um paciente que está evoluindo mal , então você pode monitorar em casa e caso haja evolução do quadro já instituir um tratamento de fisioterapia em conjunto com oxigenioterapia .
LEMBRO MAIS ESPECIFICAMENTE DE UM DOMINGO EM QUE NÓS TIVEMOS 4 MÉDICOS QUE FORAM ENTUBADOS .
3 - Hoje com o avanço da vacinação ( ainda que lenta ) pode-se observar um alívio nas UTIs . Como acredita que a Covid-19 possa caminhar daqui para a frente sem os altos números de perdas humanas ? Sem dúvida nenhuma ! Hoje nós estamos vendo uma queda significativa no número de internações em UTI . Não temos dúvida que se deve às vacinações . No começo , na primeira onda , como um certo
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ENTREVISTA - ESPECIAL COVID-19