OPINIÃO
JOÃO RICARDO JORDAN
QUANTO VALE
A SUA EMPRESA?
Advogado e contabilista, sócio das áreas Tributária e
M&A da Jordan, Cury, Rossi & Lôbo Advogados
D
22 | Revista SESVESP
ados recentes divulgados em estudo
realizado pela PricewaterhouseCoopers demonstram que o número de
operações de fusões e aquisições em março
de 2015 cresceu 19% em comparação com o
mesmo mês em 2014.
O ambiente do mercado, as possíveis sinergias, os objetivos estratégicos, a situação financeira da empresa, o valor de suas marcas, a
busca de sócios investidores e fontes de financiamento, além da ausência de sucessores, são
alguns dos motivos que levam os empresários
a comprar ou vender seus negócios, ou associarem-se com terceiros.
Contudo, antes de se pensar nas etapas de
data room, due diligence e elaboração de instrumentos (acordos de confidencialidade,
memorandos de entendimento, acordos de
acionistas/sócios etc.) que trazem segurança
jurídica a negócios dessa natureza, é imprescindível que se identifique o valor justo da empresa, a fim de amparar os processos decisórios. Nessas situações, é comum depararmos
com a seguinte pergunta dos empresários:
"Quanto vale a minha empresa?".
Ao longo dos tempos, diversos métodos de
avaliação de empresas foram desenvolvidos
para calcular o valor do negócio, não existindo fórmula única. Elementos subjetivos e
emocionais, no entanto, devem sempre ser
deixados de lado.
Vale dizer que o processo de avaliação com
base na utilização de metodologias adequadas, passando pela análise crítica dos dados
da empresa e da expectativa de crescimento
confrontada com a realidade do mercado, permite ao empresário identificar com clareza
elementos e fatores econômicos e de mercado,
adicionando valor ao seu negócio.
Pois bem. Uma das metodologias mais
utilizadas para avaliar empresas de determinado
setor e porte é o fluxo de caixa descontado, que
analisa a capacidade da empresa de gerar riqueza
num horizonte mínimo de perpetuidade de cinco
anos. Levam-se em consideração a capacidade
de geração de caixa, o chamado EBTIDA (lucro
antes de se descontar os juros, os impostos sobre
lucro, a depreciação e a amortização), a carteira
de clientes, a qualidade da gestão da empresa,
a posição dos concorrentes, marcas e patentes,
entre outros.
Outro método utilizado é a avaliação por
múltiplos, que consiste em comparar negócios semelhantes e indicadores financeiros,
tomando como base empresas de capital
aberto ou transações recentes com divulgação pública de dados e informações no setor
da empresa avaliada.
Por fim, em algumas situações, adota-se o
valor patrimonial da empresa, representado
pela soma de todos os seus ativos (edifícios,
máquinas, equipamentos, dinheiro e estoque),
descontadas as dívidas e obrigações financeiras. É um método utilizado quando o interesse
é maior nos ativos da empresa do que no seu
potencial de geração de resultados futuros.
Assim, existem diversos modelos usualmente aceitos utilizados para avaliação. Por isso, é
recomendável contar com assessoria especializada, para que o empresário possa utilizar a
ferramenta mais adequada, possibilitando-o
avaliar corretamente o seu negócio e atribuir
o valor justo à sua empresa, de forma a tornar
a operação bem-sucedida.